segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Melancholia


Geralmente quando o assunto de uma conversa boa se envereda por alguma razão qualquer sobre o fim do mundo, apocalipse e derivados (é engraçado como esse assunto não tem hora nem lugar para aparecer, intrometido que é), eu sempre tenho um comentário: O Mundo já acabou faz tempo e esqueceram de avisar.


Fatalismos a parte, o pessimismo básico dessa reflexão, para mim é algo de extrema paz. Eu não sou muito inclinado a acreditar seja em Deus ou no ser humano e, portanto, a vida é bem mais simples sem se surpreender com o óbvio. Ou como diria um poeta punk: Stop searching 'cause there's no anwer, just a long line of disaster, there's no simple way to stop the sadness, life's not fair, I'm glad it's not, this isn't heaven just a lonely planet on the verge of self destruction(Pare de procurar, pois não há resposta, apenas um caminho comprido de desastres, não há modo simples de parar a tristeza, a vida não é justa, estou feliz que não seja, isso não é o Céu apenas um planeta no limiar da autodestruição).


O refrão dessa música (cujo título sugestivo Total Bummer quer dizer uma deprê total, depois de um abuso de substâncias), um emblemático grito de Go Away, Sunny Day(Vá embora, dia de sol!) sempre me vem a cabeça quando as pessoas me olham assustadas com minha falta de descrença. Muitas disfarçam bem, mas a grande maioria deixa transpassar sua inquietação com minha tranquilidade em não acreditar num mundo melhor. Para os mais exaltados eu reformulo: O Mundo já acabou um monte de vezes, qual será a próxima?


Vejam bem ao me prostrar incrédulo perante ao mundo eu simplesmente me divirto mais, produzo mais, vivo mais. Afinal, aproveito a vida que tenho.


Tendo dito isso, apenas um comentário sobre Melancholia: Assistam.


Poderíamos discutir ad nauseum todas as suas referências a Shakespeare e a outros artistas, as belas atuações, a atmosfera onírica e seca ao mesmo tempo, o ritmo frenético do começo e estático do final, as doenças psicológicas, as questões sociais, o uso de Wagner (que com as declarações de Lars Von Trier sobre nazismo dariam um prato cheio), e inclusive poderíamos discutir o fim do mundo.


Mas insisto: Assistam.


Todo mundo sabe da famosa depressão de Lars Von Trier e os frutos desta em Anticristo e Melancholia. Este último contrastando pela sua singeleza contra a agressividade do outro. Anticristo é o caos (chaos reigns), Melancholia é a paz que resulta da compreensão e aceitação do caos. Belo, é um filme que vai ficar na sua cabeça por muito tempo. Espero apenas que você tenha a serenidade de não se desesperar ao inevitável.


Afinal, o mundo já acabou.

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