segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Rumo a destinos desconhecidos.


Esta semana despi-me de meu lado contemplativo e literal e literariamente embarquei em dois clássicos aventurosos. Tenho que reler Conrad para uma matéria da faculdade e o Pynchon, bem o Pynchon é sempre bem vindo. Heart of Darkness e Against the Day são dois petardos da literatura onde um mundo misterioso se desenrola à frente de nossos olhos como se pintados por um mestre renascentista: uma clareza simbólica sublime. Genial.


O tom clichê da crítica não é por acaso.


O realismo cru do primeira e a ironia deliciosa do segundo (sem contar as artimanhas metalinguísticas de ambos) me fazem perguntar por que não nos divertimos mais com literatura.


Não que romances de teores mais metafísicos ou estruturas mais contemplativas sejam chatos, mas o tom pedante que tende-se a dar às relevâncias de valor humano e social à histórias, ca-ham, mais “sérias” me irrita um pouco. Sou fã de uma boa peripécia e acho que grandes autores digamos até mais “sisudões” colocam sempre uma boa pitada dela no seu caldeirão. Vide Faulkner, Hardy, McCarthy, Hemmingway, etc. Etc.


(até nas obras mais artificiosas se encontram um fundamento peripértico essencial. Ulysses, por exemplo)


Então creio que a história por trás do grande e elevado significado importa e importa muito. E me encantam boas histórias, mesmo que estas sejam boas pela forma que se conta. Ah, o bom e velho Tchekhov...


Como ouvi uma vez do João Adolfo Hansen, por quê não nos divertimos com a literatura? Por quê temos que dissecá-la, classificá-la e analisá-la minuciosamente para que se torne boa “L”iteratura?


É óbvio que os dois romances que cito no post são muito mais que meras aventuras e não preciso nem entrar no mérito de sua significância, pois esta sustenta-se por si mesma. Ressalto, no entanto, a deliciosa aventura que são e recomendo que todos os visitem de vez em quando.


Vou mais ao fundo, e talvez polemizando mais, pergunto: e os romances tidos como apenas de entretenimento como os de King e Gaiman? Será que devemos desprezá-los por quê eles não tem a ambição de um Cheever ou de um Guimarães Rosa? Ou será que devemos dizer que eles não possuem tais ambições traduzidas nas suas próprias personalidades autorais?


Sei que aprendi a gostar de ler também com esses dois autores e até hoje os leio com muita diversão. Há obras deles que ainda figuram como umas das melhores leituras que já fiz (Misery, do King e American Gods do Gaiman).


Talvez tenha aprendido errado, mas aprendi a sempre ler uma história quando leio. E me divertir com ela.


Portanto digo aos meus amigos Toddynho da vez, meus companheiros de aventuras, me levem rumo a destinos desconhecidos. Sempre.

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