terça-feira, 2 de agosto de 2011

Santo James Joyce do Tapa-olho!





Gostaria de falar algo sobre Ulysses do Joyce. Nada muito ostensivo nem extensivo, apenas um comentário.

Hoje tive minha primeira aula com Sandra Guardini sobre o romance e, além do muito que foi dito apenas sobre a introdução do romance(ufa! Como tem coisa!), ela nos passou esta singela tabela elaborada por Joyce e Gilbert sobre os paralelismos do romance:

Nela é visível os títulos para os episódios, intento abandonado de Joyce, relacionando-os com suas partes gêmeas na Odisseia. Mas não só. A tabela nos revela também os motivos literários que simbolicamente irão compor o ato de inteligência de Joyce. Relacionando cada um com os estilos narrativos que o próprio denomina, podemos ver o quão consciente e culto o romance é.

Não apenas, com a tabela conseguimos perceber claramente como Joyce, além de explodir com a forma Romance literariamente, inaugura uma típica característica que se estende( e que na verdade se aprofunda cada vez mais) na contemporaneidade. Ora, a intenção de Joyce era fazer o Épico da sociedade moderna, fragmentada e caótica. A sociedade contempoanea não é só intensificada ao ponto do completo vazio nesse aspecto como, em termos de leitura, é tão caótica e midiática quanto mil Ulysses. Observável nos melhores romancistas de hoje (vide Foer, Pynchon, Franzen, Bolaño, etc. Etc.)

Mas claro, sem esquecer do passado, mas isso é outra história (a história mais antiga que conhecemos).

Porém, além de tudo isso queria fazer um comentário. Isso tudo no fundo prova o quão Joyce era enciclopédico e o quão Ulysses (pra não falar de Finnegan's Wake) é restrito apenas a academia. O que de fato me intriga em Joyce é a aparente despreocupação com tudo isso.

Obviamente que ele é consciente de toda essa concepção erudita de seu romance e é evidente que ele sabe disso, assim como é evidente que sua literatura vai na contramão da leitura fácil e óbvia, mas no fim tenho a impressão de que Joyce o fazia assim porque, antes de tudo amava isso. No fundo que creio que Ulysses (como Dublinenses e diferente de Finnegan's) foi feito para ser lido, e principalmente para ser lido com todas as suas dificuldades. Há uma espécie de esperança artística na sua concepção que se dirige a todos e por isso é a obra prima de Joyce.

Afinal, Ulysses trata da história mais antiga de todas: Voltar para casa. Casa, onde o coração mora.

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