quinta-feira, 29 de setembro de 2011

I Could Spit on a Stranger


Ontem vendo o lendário episódio lendário episódio Ducky Tie da lendária série How I Met your Mother, pensando em como tudo aquilo é legend... wait for it ...dary! me bateu uma melancoliazinha funda, daquelas doídas.


A série está acabando eu sei e eu estou entrando em abstinência dela.


A série em si é simples, as histórias conhecidas, muitas piadas até são lugares comuns, mas o timing dos atores, a caracterização dos personagens, e toda o cuidado da série da retomada de detalhes de todos os episódios, criando uma mitologia própria é única.

É algo que nunca vi em série alguma. Nem em Friends, que me desculpem os puristas.


Ontem, num final genial, onde a série mistura uma história melancólica a um outro storyline hilário que demonstra a cumplicidade não só dos personagens, mas como dos atores envolvidos na série, um final onde um sentimento de liberdade pelo simples e puro desapego, um I don't care simples catártico na vida de todo mundo que já enfrentou desilusões o suficiente para se importar, nesse fim de episódio doloroso, uma canção, do Pavement, Spit on a Stranger, cantada por Kathryn Williams numa versão doce, que lhe conferiu um tom um tanto irônico, mas principalmente catártico, se fez como um adorno à minha melancolia.


Eu lembrei do Pavement, essa banda sensacional dos anos 90. O Pavement, que lançou Spit on a Stranger no seu último disco de estúdio. O Pavement que se reuniu no ano passado para uma última turnê me dando a oportunidade de poder ter um gostinho de um show deles e foi só.


O Pavement acabou de verdade. Todas as letras originais no envolucro sensacional das desafinações, distorções e tempos malucos que realçam as belezas melódicas, as interpretações geniais de suas musicas são agora coisas do passado. Spiral Stairs, acho que foi ele, disse que a reunião foi divertida, mas o Malkmus não faz músicas mais como fazia no Pavement, mesmo que continuem ótimas como as que faz no The Jicks, o espírito criativo do Pavement não existe mais.


Foi bom enquanto durou.


E agora temos Preston School of Industry e Stephen Malkmus and the Jicks e as lembranças do Pavement.


Meu coração ficou mais fundo. Como diz o Oskar Schell, minhas botas ficarão mais pesadas.


Oskar Schell, hmm.


Oskar Schell que me fez sonhar uma vez com suas invenções como pequenos microfones para nossos corações instalados nos bolsos dos macacões. Para quem sabe nossos corações sintonizarem, como menstruação de mulheres que vivem juntos, e numa maternidade o som seria de uma sala cheia de cristais, e no fim da maratona de Nova York seria como a guerra.


O Oskar que me deu a informação que existem mais pessoas no mundo (estranhos) que gente morta e que se todo mundo quisesse interpretar Hamlet ao mesmo tempo não haveria crânios o suficiente.


O Oskar que quis inventar uma jaqueta de sementes de pássaros para que estes se empoleirassem nela e levasse seu usuário pelos seus e assim, quem sabe, a pessoa não podia sair voando de andares mais altos de um prédio atingido no meio por um avião.


Hmm.


Pensei na morte, sabe. Pensei em Philip Roth, esse escritor genial, que tem 78 anos e logo, bem logo mesmo também acabará.

Hmm.


O Oskar Schell, personagem de Extremamente Alto e Incrivelmente Perto de Jonathan Safran Foer, conquistou fãs com suas idiossincracias (talvez conseguirá mais alguns com o filme que estreará logo. O livro em que ele existe tem umas 500 páginas, das quais ele ocupa um terço mais ou menos. Philip Roth aceitou a morte já há uns vinte anos pelo menos, mesmo que nós não. How I Met your Mother se estica um pouco mais sempre, adiando um final inevitável (e necessáriamente belo). O Pavement acabou sem ser reconhecido (nem mesmo muito pelos setores mais alternativos) pelas suas musicas maravilhosas.


Tudo acaba.


Não acho, no entanto, que Spiral, Malkmus e os outros se importaram com isso. Não acho que ninguém que citei se preocupou com isso.


A imortalidade.


Isso não importa na verdade. Nada é imortal, mesmo aquilo que todo mundo considera. Penso que é melhor se divertir por um tempo do que ser imortal para nada. É muita responsabilidade para algo que não significa absolutamente nada.


Então, ao ouvir Spit on a Stranger, me deparei com uma visão totalmente diferente desta canção. I could spit on a stranger, eu poderia cuspir num estranho. A sensação de liberdade melancólica de não se importar. De ser pequeno e daí, de se submeter à morte, de dar significado ao menor ao desimportante ao pouco falado. Achar nas pequenas palavras uma beleza como Heaven is a truck it got stuck on the breeze, ou cantar desafinado a voice coach taught me to sing he couldn't teach me to love... all the above, uma deliciosa beleza.


I could pit on a stranger. Now I see the long and short and middle and what's in between.


Talvez a musica nem fale disso mesmo, mas não importa. Para mim está lá.


Honey you're a prize and I'm a catch and we're a perfect match.

Like two bitter stranger.

Now I see the long and short of it and I can make it last.

I could spit on a stranger

You're a bitter stranger.


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