quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Inexistência

Escrevo sobre a luz inevitável de um surto psicótico narrativo. Impossível não se cegar com o caos. Por isso arranco os meus olhos e murmuro baixinho, como Kurtz, o horror, o horror...


Me perco na solidão autoritária de Conrad. Tenho que aprendê-lo se isso é possível, por isso não me cego. Extirpo o mal de ver com os olhos que de nada me servem.


Os olhos.


Os olhos apenas apontam para a esquerda ou a direita. Para o palpável. O palpável é uma ilusão, um glossário malfadado à inexistir.


Inexistência, o maior dos otimismos.


Tudo.


André de Leones escorregou no meu romance. Inexistência. Pensei em me retratar também. Aviso: não tenho alter egos. Não tenho identidade.


Inexistência.


Por isso não posso existir na minha própria criação. Ao mesmo tempo tudo ali sou eu.


Que se dane. Aquilo que há é nada e, mesmo isso, é tudo o que há e é aí que confirmo o caos por me agarrar a isso. Às pequenas coisas.


Pequeno.


Inexistência.


P.S.: Explodir na frente de todos, ainda assim.

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