terça-feira, 27 de setembro de 2011

Poema 5

Vez ou outra arrisco um poema.

Pele morta,

Cabelos que caem despedaçando o poeta por todos os cantos

Retalhos de mim mesmo,

A calvície dói,

é um calvário

(trocadilho intencionado)

A cabeça coça com o prospecto da vida inteira

de perdas

Vez ou outra arrisco um poema

Tenho aflição a unhas compridas,

Preciso cortá-las

tenho que apará-las

e ver

Vez ou outra arrisco um poema.

Deixo as marcas das outrora reinantes unhas

pedaço de osso

Cartilagem inútil

transparecem na minha pele

vivas e

presentes

por um dia ou outro ardem

fantasmas

eu cravo o toco afiado que sobrou

nos dedos

eu faço doer.

Vez ou outra arrisco um poema.

Até que novas unhas cresçam e eu

neurótico

as corte, decepe, mutile

as unhas doem

Como todos os filhos que eu desperdicei nas tardes de tédio.



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