quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Poema 9


Toda vez que a Odisseia cai em mim eu vejo Musas

Palas Atena, olhos blaus de vendetta

Vingança d'Aquela Musa mais bela, fugídia

Queria para mim um epiteto

Qualquer coisa entre vendedor de terças-feira

e amante profissional

das rotundas platitudes dos reis

Rés pública,

Já dizia Tio Ari, ou Platão

que distribuia olhares de soslaio

às saias das seminuas saracenas

ou seriam Helenas?

Quero um epiteto

Pronto

Prato feito

Qualquer coisa entre desertor das tuas guerras

ou pérfido de carteirinha

de video locadora falida, vencida

com Musas atrasadas e contas mal lavadas

Quero uma Musa para mim

Como Neil Gaimana que aprisionou Calipso

e se tornou Morfeu

Quero uma Musa para mim

Nua como a Odisseia que se abre

arreganhada agora,

na ágora das tua pernas.

De onde escapo, Palas

Atena e Nu.

Telêmaco fajuto

à procura de pai

nenhum.


Imagem: Charles Baude, It was then that Ulysses told Telemachus the truth and kissed his son.

Engraving from 1892

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