
Que lástima pobre Yorick
Tal homem de jesta infinita
Eu lhe entendo
Não sou nenhum Hamlet
ignorando a obviedade
de tua mensagem obscena
Mas sim um cego num país de videntes
Um caolho perdido num bosque de doppelgangers.
Sim, eu lhe entendo
Ridi Pagliaccio!
No entanto,
Espero que saiba
que toda vez que uso teu nome em vão
que toda vez que me valho da infâmia
que toda vez que me faço de rogado
de santo
de puto
de assassino
toda vez que assino meu nome
como o teu
toda vez que minto
o faço pelo teu legado,
um elogio ao pobre louco,
variado das ideias,
despertado num mundo cão
Que lástima pobre Yorick,
ter que viver no mundo cão,
ter que rir de infâmias mil,
Inertes, pois,
iguais aquelas,
as tuas jestas,
não há...
Que lástima pobre Yorick...
Não se perca,
(ou se zangue)
se do alto de uma Elsinore qualquer
nesta metrópole devastada
Eu observar os mortos
com olhar ainda atônito
e predizer maldições
Ridi Pagliaccio!
Elas são pobres homenagens
doces tentativas,
ao menos,
ao menor dos palhaços.
Não me olhe com olhos de caveira
não me fuzile com olhares de buraco negro
apenas ria de mim,
faça troça de mim
me destrua.
Por que eles, Yorick,
estes seres, pobre amigo,
estes seres de dúbia luz,
de pobre razão
Estes seres,
Eles querem
o conforto
das tuas
jestas.

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