quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

JESTA #1


Que lástima pobre Yorick

Tal homem de jesta infinita

Eu lhe entendo


Não sou nenhum Hamlet

ignorando a obviedade

de tua mensagem obscena

Mas sim um cego num país de videntes

Um caolho perdido num bosque de doppelgangers.

Sim, eu lhe entendo


Ridi Pagliaccio!


No entanto,

Espero que saiba

que toda vez que uso teu nome em vão

que toda vez que me valho da infâmia

que toda vez que me faço de rogado

de santo

de puto

de assassino

toda vez que assino meu nome

como o teu

toda vez que minto

o faço pelo teu legado,

um elogio ao pobre louco,

variado das ideias,

despertado num mundo cão


Que lástima pobre Yorick,

ter que viver no mundo cão,

ter que rir de infâmias mil,

Inertes, pois,

iguais aquelas,

as tuas jestas,

não há...


Que lástima pobre Yorick...


Não se perca,

(ou se zangue)

se do alto de uma Elsinore qualquer

nesta metrópole devastada

Eu observar os mortos

com olhar ainda atônito

e predizer maldições

Ridi Pagliaccio!

Elas são pobres homenagens

doces tentativas,

ao menos,

ao menor dos palhaços.


Não me olhe com olhos de caveira

não me fuzile com olhares de buraco negro

apenas ria de mim,

faça troça de mim

me destrua.

Por que eles, Yorick,

estes seres, pobre amigo,

estes seres de dúbia luz,

de pobre razão

Estes seres,

Eles querem

o conforto

das tuas

jestas.



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