segunda-feira, 26 de março de 2012

Felicidade Mais ou Menos

O ano de 1999 é um marco zero para mim. Nesse ano o Pearl Jam excursionava o excelente Yield e Do the Evolution tocava adoidado na MTV. Outra que tocava que nem louca era Coffee & TV do Blur, do recém-lançado disco autobiográfico 13. O Pavement terminava pela primeira vez, após o lançamento de Terror Twilight e o Pinkerton do Weezer ainda ressoava na cabeça das pessoas antes do declínio. Era um ano de términos. O Radiohead ainda soava esquisito com o OK Computer, mas nem um tanto esquisito como soaria com Kid A. Eles sabiam, eles anunciavam o fim. O Milênio terminava e eu tinha quatorze anos e aprendia a tomar vinho barato e 51 com coca-cola. Aprendia a ver filmes como Trainspotting, Taxi Driver e Pulp Fiction. Tinha alguma coisa ali, talvez naquela mistura meio ácida meio sem graça, naquele mar de horas que a gente matava não indo às aulas, talvez mesmo naquelas aulas mesmo, assépticas, irônicas, que a gente sabia que não tinha mais volta. Ainda assim, um lado meio sonhador em mim ouvia canções como Live Forever, The Universal, Fake Plastic Trees, etc. como algo que já não era meu, mas ao mesmo tempo era de meu direito apropriar-se. Em 1999, ainda tocava por aí intacta em seu sucesso as canções do terceiro disco de uma banda inglesa que insistia ainda em ser Britpop. O Verve, assim como seu próprio nome diz, tinha em Urban Hymns toda a vertiginosa sonoridade para você se sentir jovem. Toda aquela vontade de voar que o Oasis nunca conseguiu expressar de verdade. A canção que eu mais ouvia em 1999? Lucky Man.

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