quarta-feira, 7 de março de 2012

O Efeito Soninha


Como tudo na vida (ou como na canção do Radiohead), I might be wrong, mas eis uns pensamento forte sobre as treta da mina sonsinha. O Efeito Soninha:

Um grande rancor que o conservadorismo tem com o Marxsismo/materialismo é que a função deste é explodir as engrenagens enferrujadas do outro. Daí, exposto o caráter funcional quase absurdo, (quase um caráter psicossomático, na minha opinião...) a imagem do duplo refletido no espelho assusta.

Só que ao invés de levar o cidadão a repensar sua vida, muitas vezes leva a uma reação contrária, religiosa e violenta.

Muitas vezes, a própria postura marxsista leva o sujeito a perceber sua própria alienação. Mas ao invés de ele entender isso como parte do caráter sistêmico da sociedade que ele faz parte, portanto, sendo normal reconhecer-se alienado para que se possa criticar com mais propriedade e clareza, o sujeito parece tentar justificar-se e reafirmar a própria alienação como algo religioso.

Daí é aquela coisa: o sujeito que sempre foi de esquerda, de repente pregando tudo como de direita como se essa fosse a resposta e não a crítica à esquerda podre e à direita. E como vemos, essa atitude "bandeirinha", além de ser maniqueístamente conflituosa, revela uma deformação política que fica martelando na cabeça do próprio sujeito que fica repetindo quase como uma ladainha religiosa esse seu "novo" ponto de vista como "verdade" que ele vê por deixar de ser cego.

Isso a gente podia chamar de efeito Soninha Francine, na minha opinião.

A gente pode pensar nessa citação de Bolaño e tirar as conclusões de qual posicionamento faz mais sentido. (numa tradução bem porca) Bolaño, a respeito de seu posicionamento político, comentando que não gostava d': “a unanimidade sacerdotal, clérica, dos comunistas. Sempre fui de esquerda e não iria virar de direita por que não me encantava com os clérigos comunistas, então virei trotskista. Acontece que logo, enquanto estive entre os trotskistas, tampouco me encantava a unanimidade clerical dos trotskistas, e acabei virando anarquista […] já na Espanha encontrei muitos anarquistas, e comecei a deixar de ser anarquista. A unanimidade me incomoda muitíssimo.


O original pra quem quer ler: "la unanimidad sacerdotal, clerical, de los comunistas. Siempre he sido de izquierda y no me iba a hacer de derechas porque no me gustaban los clérigos comunistas, entonces me hice trotskista. Lo que pasa que luego, cuando estuve entre los trotskistas, tampoco me gustaba la unanimidad clerical de los trotskistas, y terminé siendo anarquista [...]. Ya en España encontré muchos anarquistas y empecé a dejar de ser anarquista. La unanimidad me jode muchísimo"

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