quarta-feira, 2 de maio de 2012

Adriana Armony - Estranhos no Aquário


Foi difícil falar sobre Estranhos no Aquário de Adriana Armony. Por uma razão simples: não consigo decidir se gostei ou não do livro.
Talvez essa seja a característica mais marcante do romance: ele é irregular, talvez não na sua feitura, mas no seu efeito incial.
A história. Um garoto sofre um acidente na virada do milênio e perde as funções motoras e a memória recente. Afásico, ele irá se recuperar durante as peripécias do romance. Os pontos de vistas definem os estranhos: a mãe que se embrenha no doutorado sobre Espinosa; o pai médico que foi ausente e indiferente nos últimos anos; o rapaz ferido entre intervenções em primeira pessoa da cabeça dessintonizada dele (aliás, as melhores partes) e narrativas comuns. Ocasionalmente narrativas dos coadjuvantes que dão o desenlace da problemática.
No todo, o romance da autora carioca, autora de dois outros romances (Judite no País do Futuro e A Fome de Nelson, ambos publicados pela Record), tem a sua coesão na temática, na estrutura e na história, mas há algo ali que não casa totalmente.
Não é uma crítica negativa. Há momentos em que nos empolgamos a valer na narrativa, mas acredito que o projeto filosófico da escritora às vezes quer sobrepor ao projeto romanesco. Não levem a mal, mas por vezes as narrações soam fakes ao ponto de perdermos a ilusão de que estamos naquele romance e não numa ilustração de um debate sobre Espinosa. Em certos momentos há a impressão que o romance descambará num simplismo um tanto maniqueísta, o que se percebe ao final como inverdade ao vermos o uso que autora se faz de motivos machadianos. O que me faz pensar se talvez numa releitura eu descubra pequenas armadilhas intencionais.
O importante é que o romance cumpre a que veio. Com certas ressalvas é um livro interessante e boa dica para quem procura autores nacionais. Vale a pena das 200 páginas.


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