quinta-feira, 25 de abril de 2013

O Que Resta.



Os prédios adormecidos e as vidas saturninas. Em 2002 ouvi perdida num disco que não tinha muita importância ninguém a banda holandesa chamada The Gathering. É sempre o nome que lhe atrai. Sempre a palavra de entrada. A senha.
Os sinais que me fizeram do avesso quando ouvi Saturnine foram óbvios:
Guitarras que preenchem sem serem tétricas
Voz que modula entre a morte e a vida.
Algo sobre o modus operandi de alguém que não tem nada.
Saturnine então era a mais perfeita essência para quem não sabe aonde ir. É astrologia. É o tempo que passa. É a coincidência enorme de estar naquele lugar certo na hora certa. Ou errada.
Os prédios adormeceram. A astrologia já confirmava os padrões que levariam ao clímax e ao fim catártico mais uma vez. Nessa narrativa, a banda crescia para mim. Sua música elevava certos significados. No fundo acredito que eles buscavam a não significação. Esse lugar etéreo onde tudo é mais cor e suspiro do que razão.
Os discos do The Gathering entre 1998 e 2004 são pequenas peças de como não ser. Tudo o que você pensa é que inseridos num contexto musical específico (o heavy metal de onde partiram em discos anteriores), com a idealização de uma outra direção (o rock alternativo?), The Gathering produziu uma massa sonora que buscava aquele vazio entre o que há e o que deixa de ser.
Começa em How to Measure a Planet? A não questão impossível. Como medir um planeta? Talvez no foguete lançado em Liberty Bell, ou no torpor filosófico de Big Sleep. Afinal tudo é eletricidade e reflete em nós como a natureza de My Electricity.
A resposta não vem e Se/Então/Mais se produz no disco que continha a estética Saturnina que me conquistou. If/Then/Else não tenta ser trip hop, não tenta ser rock alternativo, não tenta ser metal. E por não tentar produz o que o título sugere. Se. Então. Mais.
É terrivelmente assustador quando a cauda do nosso foguete entra em super combustão. O ao vivo Superheat resume um pouco do que foi Gathering até ali. O passado e futuro movimentados em velocidade superior à da tessitura cronológica.
Por fim se canta aos prédios adormecidos. Em Sleepy Buildings a viagem parece adormecer no seu clímax. Um disco semi-acústico, singelo e quase esquecido. Como diz uma canção do passado presente nesta noite de rochas que roncam e paredes que respiram alto. Sempre sozinho...

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