quarta-feira, 24 de abril de 2013

Oh os Sapos que Caem do Céu.




Acredito ter assistido Magnólia pela primeira vez em 2000, um pouquinho antes de o mundo acabar. Desde então devo ter ouvido Aimee cantar que “não vai parar até eu tomar juízo” algumas vezes. Muitas delas numa versão travestida tarde da noite onde ninguém se importa se sapos caem do céu.
Mas o que o garoto Daniel ouviu naquelas madrugadas abandonadas não difere muito do que o garoto Daniel ouviu na madrugada abandonada pós-apocalíptica de hoje. Não tomei juízo até hoje e alguma explicação deve existir. Assistir Magnólia em vias do retorno de Saturno pode ser uma experiência interessante, mas o que mais me tocou foi a incrível paz que me tomou desta vez.
Sempre tive o terceiro filme de Paul Thomas Anderson como um dos filmes mais tensos que eu já assistira. Eram quase três horas até o momento de ruptura do nervo liberando o sangue e aliviando a tensão quando sapos misteriosamente caiam do céu, acrobáticos e curativos.
As feridas fechavam. A catarse rebobinava toda a falta de juízo que ainda eu haveria de manter.
Mas realmente acontecia.
Desta vez nada mudou, mas fez toda a diferença. Talvez seja o fato de que o último filme de P.T.A., O Mestre, tenha para mim resignificado toda a sua obra. Será que a figura anárquica de Freddie Quells, como os sapos da coincidência magnífica, ao errar pelo mundo já ressonou no jovem Paul Thomas de 1999?
Possivelmente. Mas é mais provável que o Freddie Quells que havia no garoto Daniel de 2000 dormitasse ainda fraco demais pra lutar contra o peso do dia, despertando assim em 2013, depois do fim do mundo como se quisesse cantar que o paradoxo de Aimee é que não vai parar mesmo, então apenas desista.
Em O Mestre, a bela cena final resume tudo o que P.T.A. tem tentado nos dizer sobre o amor. E sobre estar contra a luz de um mundo que de sombras só precisa daquelas que lhe fazem a fotografia.
Oh os sapos que caem do céu.

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