sábado, 19 de dezembro de 2009

Arte e Entretenimento


Primeiramente é preciso dizer que esta reflexão aqui não está preocupada em definir o que é arte, nem tem as "guts" necessárias para tal. O que quero mesmo é tentar, em minha opinião, distinguir o que considero arte e o que considero entretenimento a partir daquilo que estas formas me fazem sentir. A idéia é realmente separar o joio do trigo, buscar a percepção de que hoje, em meio a uma industria cultural forte e extremamente plural dado os meios tecnológicas e multidão de mídias como meios de expressão, encontrar uma obra de arte é realmente procurar uma agulha no palheiro, não só pela dificuldade mas, principalmente (e peço perdão pela metáfora cafona) porque você vai se espetar e vai sair sangue. E é isso que importa para arte, ao meu ver: ninguém pode sair incólume. Ninguém está são e salvo de seu efeito.
Como já foi dito, o século XXI trouxe uma consolidação daquela que é chamada de Industria Cultural, fenômeno que vêm acontecendo desde os anos cinqüenta. Com os adventos tecnológicos que facilitaram os meios de comunicação, tornaram os meios de expressão mais democráticas e portanto mais caóticos, mais globais. Isso afetou tal indústria. Isso é, imaginem que tínhamos uma máquina, programada capciosamente, que separava aquilo que "servia" e aquilo que "não servia" para o uso comum dos consumidores de cultura. Agora imaginem que essa máquina foi desligada e aposentada porque, agora, todo mundo quer "servir". Isso leva a uma democratização maior do meio cultural mas também a uma superpopulação de pequenos artistas tentando um falar mais alto do que o outro. No entanto há um problema ainda maior.
Nesse meio tempo, em que essa máquina funcionou a todo o vapor nos dizendo o que "consumir", a sociedade foi esquecendo o que é culturalmente arte e o que é culturalmente entretenimento. Foi tudo ficando misturado e, conceitos foram formados com relação ao que era considerado arte pelos poucos que ainda se arriscavam a descrevê-la. Um exemplo disso é a poesia, essa arte que é marginal e extremamente não lucrativa hoje em dia e está sempre sendo preterida pela prosa artística como meio literário de prestígio, e esta última preterida pela prosa de massa como meio literário comercial, e esta enfim preterido pela teledramaturgia como contato cultural mais rápido e menos exigente.
Isso não quer dizer que em outras épocas as pessoas realmente pensavam a arte em sua essência, ou que sequer tinha a noção do que era entretenimento. Sempre houve formas de arte populares, e muitas vezes, estas eram dotadas de maior teor artístico do que as formas consideradas como arte na época, e que depois se tornaram essenciais para um outro tempo, e muitas vezes caracterizaram ideais políticos que influenciaram arte, é só pensar, por exemplo, a importância das canções populares na música erudita dos nacionalistas do final do séculos XIX. Anacronismos a parte, a verdade é que, entrenimento é um conceito que advém da sociedade televisiva, em sua acepção moderna que reflete aqui neste escrito. No entanto essas digressões servem justamente para aquilo que importa sobre o que eu quero dizer sobre entretenimento: Ele sempre existiu nas mais variadas formas, mesmo que não tenha sido chamado desta forma.
Então por quê é importante falar dele agora?
Justamente porque agora ele existe em oposição ao que é arte.
Para mim arte deve te cutucar. Como Seamus Heaney disse sobre poesia, é quando como damos uma tapa na TV para sintoniza-la de volta. Arte deve dizer algo, mesmo que seja nada, que seja a negação daquilo que é de sua própria natureza artístico. Como se pendurarmos um cartaz no meio da Avenida Paulista como os dizeres: "Isso não é Arte!". A arte em si não pode escapar de sua íntrinseca ontologia artística.
Pensando assim fica mais fácil dizer o que é entretenimento. Podemos dizer que é todo o resto. É ai que entra o que eu gosto de chamar de entretenimento genial e entretenimento não genial.
Vamos reforçar que entretenimento não é arte, mesmo que seja genial. O contrário, no entanto, apenas pode ser verdade em poucos casos, geralmente atrelados a pintura e, mesmo assim, tenho minhas dúvidas quanto a capacidade de existir uma arte que não entretenha. É preciso dizer que entretenimento puro não é também um monstro de sete cabeças do qual os que procuram estar em contato com a arte devam fugir incondicionalmente. Isso é irracional. Ninguém precisa ter medo de se "manchar" porque assistiu televisão.
E é justamente aí o ponto que quero chegar. Entretenimento está lá para distrair, escapismo puro. Ninguém vive só de filosofia e ciência. Nem toda hora podemos ser cutucados por insetos gigantes ou insanas lanças de justas. Ele sempre existiu e sempre existirá. O que precisamos fazer, principalmente hoje, é escolher bem como vamos nos distrair.
Entretenimento que eu chamo de genial é aquele que é bem construído, que nos leva a um bom passatempo sem nos insultar intelectualmente. Um entretenimento não genial são fórmulas feitas, não originais, produto comercial apenas, como aquele sanduíche daquela franquia que sempre vai ser o mesmo. Do primeiro podemos destacar séries televisivas e de livros, música pop sincera, etc. Do outro podemos falar das soap operas da vida, reality shows, enfim, todo charlatanismo que bloqueia toda a capacidade de pensamento, porque são mastigados previamente para nós como se fossemos bebês e não pudéssemos fazer isso por nós próprios.
De um modo geral entretenimento é importante. Acredito nele. Precisamos diariamente uma boa dose. Acho que só assim conseguiremos destacar o que é bom ou ruim, ao mesmo que alimentamos nossa fome por cultura e tropeçamos aqui e ali em arte de verdade.

domingo, 6 de dezembro de 2009

500 days of Summer


0 500 days of Summer é um típico filme sobre crescimento. Homem/garoto chegando à vida adulta encontra um desafio a ser superado. Uma história de iniciação. Um rito de passagem, aliás, confirmado na metáfora final que, a priore parece boba e clichê, mas que se analisada profundamente, adquire um sentido bem mais poético (é claro que não posso fazê-lo aqui, pois seria spoiler e contra os meus princípios).

O filme, já vem embutido com um trunfo, mas têm na verdade dois.

O primeiro, que já é perceptível logo de cara, é a trilha sonora escolhida a dedo para agradar o público-alvo Indie que o filme busca. Eu digo trunfo porque, não apenas a trilha sonora é boa, mas não se sobressai à história e ajuda a contá-la com toques sutis e refinados.

O segundo trunfo só pode ser uma conseqüência do primeiro: o ritmo narrativo. Esse vilão para todos os escritores foi domado em 500 days. É claro que, como já foi dito, o fundo musical da história ajuda muito, mas não é o principal.

Realmente estamos caminhando junto do nosso herói, um patético loser dos anos 90 ( começa ai a catarse), que chegará ao seu apogeu e descerá tragicamente à sua derrocada. Um fim moderno. O barato está é que somos carregados como ioiôs (para usar uma metáfora pynchoniana) atrás desse cara, Tom Hensen(o ótimo Joseph Gordon-Levitt) que, nos leva numa narrativa não linear pelos 500 dias que passará com esta garota de seus sonhos Summer (a cute cute Zooey Deschanell). Nós realmente somos arrastados a todos os arroubos românticos e bobos do personagem em técnicas que variam em posição de câmera, pequenas incursões filosóficas do narrador (como consciência do loser Tom), e divisão de tela com as expectativas e a realidade de uma situação que Tom vive com Summer. Mas o mais válido aqui é a posição do narrador, o fato de estarmos sempre nos olhos do Tom nos faz passar por todo o rito do qual ele está sendo submetido, e é claro com méritos ao diretor Marc Webb pelo modo divertido... e mais uma vez catártico, in extremis.

500 days of Summer é uma história divertida e com certeza para ser vista na tela grande. É claro que, essa estética voltada ao Indie, (que tem recorrido muito em filmes independentes) pode ser um fator decisivo para o filme, sendo ele comparado a Juno e Pequena Miss Sunshine (este último que não se pode comparar pela superioridade). No entanto, não se pode condenar um filme por esse motivo, muito menos um filme agradável e no ritmo certo como esse.

domingo, 29 de novembro de 2009

Infância de Graciliano Ramos

Graciliano Ramos explica que a ideia de Infância veio como uma forma de contar o suplício da educação nordestina. De fato, com narrativas breves como pequenas crônicas (mais como pequenos contos devido ao seu teor literário) o texto do escritor alagoano nos mostra o reflexo da sociedade patriarcal, praticamente feudal, nordestina do final do século XIX, início do século XX Nas figuras de seus próprios pais se personificam a lei, o religioso e, o que mais importa, a autoridade local e máxima.
Ora, o local é mínimo e gigantesco, aos olhos de uma criança, o vilarejo é todo o mundo grande e imenso. Máxima, portanto são as figuras terríveis dos adultos, seu julgamento e punição.
Dirão vocês que nos encontramos diante de uma crítica ferrenha de uma sociedade atrasada. Dirão, mais ainda, que estamos em face de uma memória de um importante aspecto social de nosso país. Um documento, importantíssimo em seu valor.
Eu digo, em minhas impressões, que o livro é tudo isso, sim, mas não só. Estamos diante de um relato, verdadeiro, autobiográfico, individual com certeza. Mas não podemos nos esquecer do literário.
A narrativa seca e mordaz, e ainda assim extremamente honesta e simples de Graciliano Ramos se aplica também a Infância, suas memórias de menino. Seu punho de escritor único, e maior representante de uma das realidades brasileiras mais tristes e impactantes do Brasil, desfere imagens lindas pela realidade e força de sua crueldade. O menino Graciliano Ramos se confunde com o escritor para arquitetar e construir, palavra por palavra, uma realidade. A crítica é implícita, é claro, mas a escrita como arte prevalece pela sua simplicidade genial. Relatos como a punição desmedida do moleque José pelo pai de Graciliano, o questionamento ingênuo do menino escritor sobre a existência do inferno, a figura terrível do juiz/pai que o acusa/julga/condena pelo sumiço do cinturão, a terrível descrição da queimada morta parte objeto-destruído-parte-carne-assada-parte-máscara-gosmenta-e-humanizada, até a meta memorização do versinho de criança; tudo isso é parte de uma imagem crítica, mas antes de tudo é imagem, e imagem é arte, e a arte de Graciliano é a literatura. A sua literatura única e própria que invade sua vida. Que é sua vida.

Quisera eu escrever um blog

Quisera eu escrever um blog, mas as vírgulas não deixaram. Pensava eu em minhas ideias que perderam o acento pelo caminho, assim como eu, o meu tempo quando me deparei com a infinidade de vírgulas pelo caminho. Poderei, ponderei e ponderei. Resolvi por um ponto e, de ponto e vírgula em ponto e vírgula cheguei ao espaço vazio. Uma infinidade assustadoramente branca, desolada e intimadora. Morri de medo e de dislexia. Cai esmagado pelo vazio inexpressivo. Grafico mas sem o lógico. .............................................................................................................................................................................
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ooooooooiiiiiiiiiaaaaaaaaaasssssssssssssssnnnnnnnnnnnnnrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr 4854545454546637d^^&*%$#gsbdhgHG~@@%%DGCBBOI ((&*&67yghrjh5400sij5/-*+8+8+86
hguyjwgtdzghj\gjhfdgeytuijkgyufdasugsudguedgusguhaaaaaaaaaaaaté que o gráfico se tornou morfológico e arranquei o in de expressivo, dei uma de sintático e taquei-lhe logo um verbo e um sujeito, e aí foi só ser. Eu sou, tu és, ele é, nós somos, vós sois, eles são expressivos. Logo depois virei semântico, pragmático e sintgmático, léxicográfico, etc. etc. etc.etc.etcetcetcetcctetectceectetc.......
Mas o melhor for virar meta-linguístico.
Quisera eu escrever um blog, quisera eu blogar uma escrita.