segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Poema 10


Ópio.

O eco eu quero que reverbere nas suas ancas

Ressoe por suas pernas

dissonâncias.

Tem partes do corpo que doem

fisicamente mesmo, mas simplesmente,

mesmo que desesperadamente,

só sossegam com o acalmar do coração.

O meu ópio é aquilo que quero ver no teu corpo

A transmutação transtornada de nós dois

transfiguração tresloucada

trespassada te vejo

sem dor.




Imagem: Damien Hirsch - Opium Painting

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Poema 9


Toda vez que a Odisseia cai em mim eu vejo Musas

Palas Atena, olhos blaus de vendetta

Vingança d'Aquela Musa mais bela, fugídia

Queria para mim um epiteto

Qualquer coisa entre vendedor de terças-feira

e amante profissional

das rotundas platitudes dos reis

Rés pública,

Já dizia Tio Ari, ou Platão

que distribuia olhares de soslaio

às saias das seminuas saracenas

ou seriam Helenas?

Quero um epiteto

Pronto

Prato feito

Qualquer coisa entre desertor das tuas guerras

ou pérfido de carteirinha

de video locadora falida, vencida

com Musas atrasadas e contas mal lavadas

Quero uma Musa para mim

Como Neil Gaimana que aprisionou Calipso

e se tornou Morfeu

Quero uma Musa para mim

Nua como a Odisseia que se abre

arreganhada agora,

na ágora das tua pernas.

De onde escapo, Palas

Atena e Nu.

Telêmaco fajuto

à procura de pai

nenhum.


Imagem: Charles Baude, It was then that Ulysses told Telemachus the truth and kissed his son.

Engraving from 1892

Os Inquietos


Welcome to art class, and yes it does involve shaking your ass”

Superchunk – Art Class



Sábado à tarde, Augusta, depois de uma bruta chuva de verão, a memória:


André: O Van Sant soube aproveitar os clichês.


Daniel: Até as musiquinhas.


André: Filme é bonito.


Eu: Se eu tivesse 16 anos esse filme seria o filme da minha vida.


E de repente deu vontade de ter 16 anos de novo.

Os Inquietos é aquele tipo de filme onde a jovialidade requer todo o tipo de clichê bem encaixado. A temática e principalmente o desenho dos personagens envolvidos são elegantemente e com um tom comicamente belo apresentados a nós. É o tipo de filme que gera camisetas e todo o tipo de memorabília cult.

Nos meus 16 anos os filmes que eu vi foram: Trainspotting, Cova Rasa, Corra, Lola Corra, Réquiem para um Sonho, Seven, Clube da Luta, Boogie Nights, Magnolia, Quero Ser John Malkovich, Psicopata Americano, Amnésia, Fargo, O Grande Lebowski. , etc.Todos grandes filmes, mas todos digamos, bem macho. Talvez possamos dizer que Amelie Poulin, Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças e Por uma Vida Menos Ordinária se aproximam mais com o tom do filme do Sant. Eu gosto muito destes filmes, mas talvez nenhum destes seja tão icônico como Inquietos. Talvez Brilho Eterno, mas daí as temáticas se diferenciam bastante e, os adolescentes d'Os Inquietos seriam muito mais próximos a mim do que o casal do filme do Gondry.

Funciona assim, é uma questão de educação sentimental: A adolescência é algo bizarro, cheio de certezas arbitrárias e incertezas massacrantes. O mundo não é legal. Para mim, tanto a música quanto a literatura, e nessa época principalmente os filmes eram uma questão de afirmação. Assistir Clube da Luta e realmente entender era algo que me definia como alguém diferente de toda aquela babaquice adolescente. Ter a sensibilidade de entender os melindres do casal Kaufmaniano era saber que o amor era algo importante, muito mais importante que a explosão dos corpos no embate cotidiano da anulação da mente que foi crescer no fim dos 90. A mente, a memória, a loucura versus a paralisia, o embasbacamento, a vida ordinária.

O filme de Sant recupera isso. Ele magistralmente entrelaça a vida e o viver de verdade na morte imediata, dura. Vita Brevis. Com certeza eu me identificaria com Annabelle. Tentaria me vestir como Enoch. Até que eu crescesse finalmente e mantivesse a memória afetiva deste tempo.

Não quero dizer que minha filmografia básica dos dezesseis anos, a minha Lira, pra continuar no campo semântico do romantismo adolescente, seja vazia de heróis. Não. Na verdade ela está repleta de anti-heróis e paspalhos, os losers que combinam muito mais comigo. Essa é minha educação sentimental. O que quero dizer é que a dureza da época em que cresci se refletiu no meu canôn cinematográfico e, ali, um Enoch & Annabelle caberiam muito bem para suavizar com um romantismo desiludido e agradável, a aspereza da década de 90. Talvez um advento Truffautiano para adoçar um pouco a vida.

Fato é que Os Inquietos me deu um bucolismo gostoso, uma saudade de algo que eu não tenho saudade a não ser pelas pequenas coisas que foram construindo quem sou, como minha coleção de personagens icônicos e de cenas insólitas. Como minha imaginação acelerada pelo ritmo frenético das luzes.

Queria ter 16 anos de novo para que Os Inquietos entrassem no meu time, na minha gangue, no meu clubinho seleto de mim mesmo.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Elogio do Perdedor


Now you wish you weighed a thousand pounds
So you could crush all those bullies and demons down
From your seat at the back of the bus
You're still waving back at us

Você gostaria de pesar uns mil quilos agora

Só pra poder esmagar aqueles valentões e demônios

Do teu banco atrás do ônibus

Você ainda acena para nós



Essa canção do álbum Come Pick Me Up, de 1998 do Superchunk, começa com uma das frases mais emblemáticas que um loser que cresceu nos anos 90 pode querer: Você finalmente puxou de volta quando o mundo puxou teu cabelo.

Loser.

Era o que eu realmente era naquela época, na metade de 1999, com os meus 14 anos e toda a esquisitice que alguém de 14 anos pode ter. Ser loser era aquilo: um garoto magrelo que ouvia Nirvana o dia inteiro (e acreditava que o Kurt ainda era vivo!), que não cabia em nenhuma das suas roupas (moda era algo incompatível comigo), que era inteligente demais para ser legal(aprendi inglês mais ou menos ali e entendia as letras do Cobain mais que todo mundo e menos do que entendo agora), era sensível demais para chorar pela garota que era apaixonado (quando disse eu te amo e saiu correndo pra chorar no ombro do melhor amigo!), que desesperadamente tentava aprender a tocar guitarra para impressionar garotas (por que era o que o mundo pedia), que nunca tinha beijado ninguém (nem ia até um ano e meio depois, aos dezesseis, todo enlameado no show da mix, uma garota seis anos mais velha), e simplesmente existir como pessoa deslocada, tímida que nem o inferno e inocente o suficiente pra sofrer por isso.

Hoje eu não sei muito bem o que é ser loser. Me parece que isso virou uma espécie de estilo estético de viver. Uma espécie de escolha da moda onde você é chamado de algo tão cool como hipster (se é que eu entendi direito o que é hipster). Mas quando eu era loser, tudo o que eu não queria ser era loser. Não é a questão de me aceitar como eu era, mas de que o mundo não fosse tão cruel. A equação era simples: eu amava todo mundo e queria que o mundo me amasse de volta.

Loser.

Foi então que algum tipo de, sei lá, salvação? Redenção? Chame do que quiser, começou a acontecer. Lá no fim do século passado eu ouvi algumas bandas. Essas bandas tinham letras como “Na garagem me sinto seguro, ninguém liga pras minhas manias”, “Olá falcão, venha me buscar”(onde eu realmente imaginava um falcão vindo me buscar), “Eu tenho pele de buldogue”, “Tive um ataque(paixão) nada funciona, mas eu tenho fé, não é suficiente, nem mesmo fale” “Tão bêbado no sol de agosto, e o você é o tipo de garota que eu gosto, por que você é vazia, e eu sou vazio, e nunca poderemos fazer uma quarentena com o passado” e essa 1000 Pounds que dizia com otimismo no refrão: “Quando ninguém esperava você sobreviveu”.

Entre estas musicas e algumas pessoas que iam aparecendo pelo caminho com gostos similares eu fui sobrevivendo. Mesmo quando ninguém esperava. Entre os VHS e K7s que eu gravava afoito, idas à Galeria do Rock para solicitar audições de Cds de bandas obscuras com a finalidade (ou não) da compra, cabelo comprido, cabelo curto, entrada tardia no mundo da internet e das MP3 (lá por 2005), uma incursão pelo mundo da música erudita (ainda sinto saudades do meu cello), uma depressão fudida, amigos, finalmente sexo, passeios por vários mundos, uma nova personalidade, saída da depressão, finalmente faculdade (Letras e aos 23), 5 anos de namoro, a vontade de escrever, a eterna coceira da música em mim (eu ainda não toco guitarra direito e nem impressiono as garotas), alguns poemas e contos, um romance no forno, quem sabe mais um fim do mundo ano que vem, eu sobrevivi.

Então abra a porta, sou um perdedor bebê, então por quê você não me mata?

Em 2010, o Superchunk lançou um disco novo. Eles não lançavam um disco desde 2001. Essa década, que também foi a década em que eu amadureci, foi a década em que essa banda tão querida para mim cresceu e se tornou vintage. Assim como eu ela sobreviveu, e o que tem a dizer hoje, talvez seja o melhor. O disco, Majesty Shredding, é genial, e eu, como a banda acompanho as letras. Agora eu canto:

“When I learned to walk, you know humans roamed the Earth, I can't hold my breath anymore, I stopped swimming and learned to surf. When I learned to talk I found words that wouldn't worth dirt, heavy like the rocks we carry I stopped swimming and learned to surf!”

“Quando aprendi a andar, você sabe que os humanos vagavam pela Terra, eu não posso segurar o fôlego mais, parei de nadar e aprendi a surfar. Quando aprendi a falar, encontrei palavras que não valiam bosta nenhuma, pesadas como as rochas que carregamos, parei de nadar e aprendi a surfar!”


segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Frank Miller ou Bonitinho, mas Ordinário.




Recentemente a voz de Frank Miller me chegou por dois caminhos. Uma delas, a bem legal, foi a capa que o Miller fez para o Gravity's Raibow do Thomas Pynchon que é genial. A outra foi nas declarações infelizes (não exatamente pela opinião, mas pela forma baixa que as fez) sobre o Ocuppy Wallstreet. Antes disso ouvi que andava fazendo filmes. O último que vi foi a adaptação de Sin City.

tirinha de Ty Templeton sobre o incidente "Miller"

Pra quem não conhece, Frank Miller é um deus dos quadrinhos. Autor das famigeradas séries 300, Sin City e Batman: O Cavaleiro das Trevas, Frank fez seu nome com histórias cruas, tensas, conteúdo violento para adultos aliadas à um traço único e um belo uso de cores.

Expressivo.

Quando vi a capa que fez para o Gravity's Rainbow, que é uma delícia de livro, eu me apaixonei pela edição. Acontece que quase ao mesmo tempo li sobre suas declarações e isso me pôs a pensar: Os babacas também são geniais.

Frank faz parte do grupo de artistas geniais que tem um certo extremismo nas suas opiniões que realmente incomoda as pessoas. Me lembrei de casos clássicos como a de Celine que é odiado na França até hoje por ser um fascista inveterado, ou de Borges que é execrado por seus conterrâneos por causa da sua falta de oposição à ditadura e pela famigerada fotinha junto à Pinochet.

Porém, por mais que se negue, a genialidade destes é genuína.

Podemos pensar que o tempo e, no caso dos dois acima, a localização geográfica podem enterrar esses aspectos mais obscuros de cada escritor. Um exemplo disso é Conrad que sempre foi um conservador radical, muitas vezes extremista e preconceituoso, e que mesmo que ainda tenha seus odiadores é reconhecido com unanimidade pela sua importância para a literatura. Afinal, como todos sabemos, em análise literária a biografia é importante apenas quando isso se reflete na ideia geral de um texto. Em Conrad a camada conservadora é apenas superficial e irrelevante enquanto a estética é revolucionária. A temática de suas histórias são abordadas com agudeza e universalidade não no sentido integrador, mas no sentido explosivo, revolucionário, onde a ideologia, de certa forma, pouco importa.

Não quero dar a Frank Miller a importância de um Borges ou um Conrad (talvez ele tenha a importância de um Celine, talvez), mas o fato é que o quadrinista revolucionou os quadrinhos. Não há quem não tenha se influenciado por seus traços secos e duros e a quase monocromática variação de cores que embelezaram o mundo das HQs elevando-as a outro nível. Assim como Conrad, a estética de Miller é revolucionária. Não como Conrad, as histórias em si carecem de mais profundidade, sendo aquela repetição clássica do anti-herói em meio a um universo ultra-violence onde a ação justiceira de alguns é providencial, necessária. Nos anos 80, esse tipo de visão era palpável, o mundo era outro. Hoje não mais. Conrad tocava em feridas que não eram superficiais, Miller não. Não é à toa que ele viva hoje de requentar seu passado. As declarações que fez não passam de um reflexo do homem cansado que se perdeu em algum lugar dos anos 80 onde pode ser Batman.

No entanto, suas obras-primas são necessárias. A estética ali envolvida ali é genial. Miller não teve a mesma compreensão que um Alan Moore, por exemplo, teve, e é por isso que Watchmen tem muito mais complexidade (vide demora e qualidade da adaptação cinematográfica) que Sin City e é reconhecido por isso. Ainda que o diretor Zack Snyder abuse da estética que ele desenvolveu a partir de Miller no próprio filme adaptado da obra de Moore.

Ou melhor dizendo: ali está a genialidade de Frank Miller. Imaginem como seriam 300 ou Watchmen sem o traço característico? Não seriam.

Frank Miller também abriu as portas para as Graphic Novels adultas no cinema. Mesmo que viva de produções baratas e repetições de fórmula.

Não. Não desprezarei Miller por sua infâmia. Fato disso é ficar admirando a capa de Gravity's Rainbow sem parar.

Frank Miller pode ser um babaca alucinado, mas quem disse que babacas alucinados não tem talento?

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

It's really not that kind to terrorize one in one's sleep


Nunca foi tão significativa essa música. Como inevitavelmente nos apropriamos das coisas para nos significar aí vai um apelo ao som de Pinback e seus dois baixos geniais:

"Realmente não é muito gentil aterrorizar alguém quando dorme."

"É bom te ver. É bom te ver ir embora."

Pinback - Good to Sea

They're moving Earth outside.
The ground is shaking like no beat.
A dense terrible sound.
At once both teeming and asleep.

It seems to me to be a sign.
I don't believe in such, and yet...
It seems to me to keep one eye on the situation's best.

(It's good to see you
It's good to see you go...)2x

It's really not that kind
To terrorize one in one's sleep
And if you really tried
You'd probably cut the chase too deep.


It seems to me that that's a fine way
To keep you off your feet
There seems to be no other side
For the two ideas to meet.

(It's good to see you
It's good to see you go...)x2

Gotta keep your mind on somewhere else.
Gotta keep from thinking of your health.
Strange how your mind works.

(It's good to see you
It's good to see you go...
Oh no I hit rock bottom.)

Everybody Lies


“Doutora Adams: Qual é a desse negócio de todo mundo mente? (Everybody Lies, bordão famoso de House)


House(gritando): Verdade!


(silêncio assustado)


House: Verdade que seus seios ficam todo agitadinhos nesse decote quando você faz afirmações inteligentes.


(silêncio constrangedor.)


House: Eu sei por que Chase não para de olhar para eles.


(Chase desvia o olhar constrangido)


House: mas ele nunca irá falar nada por quê ele quer transar com você, e ele tem medo de que ao admitir isso você não irá querer transar com ele. E é verdade também que qualquer homem iria querer transar com você e eles também não admitiriam olhar seus seios pelo mesmo motivo de que se o fizessem você não quereria transar com eles.


(silêncio indignado de Adams)


House: Mas, a maior das verdades é que você sabe de tudo isso.


(silêncio constrangido de Adams)


House: E essas são apenas algumas das verdades que aconteceram nos últimos minutos aqui.”


Numa transcrição não muito fiel, apenas de memória, da genialidade do texto de House.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Poema 8


Vocês estão errados.

Não queremos a paz.

A paz é estúpida, inepta

A paz é moradia da guerra.

Queremos a transcendência pelo fogo

Queremos nossas drogas.

Não existem pessoas de bem.

Apenas as casas de maribondo da culpa

onde moram os olhos

voluntariamente arrancados

pela indolor incisão psicotropicamente certificada

Mas esperem!

O mar de vazios é inflamável

queima que é uma beleza

Deixe-o torrar

Torra, torra, meu amor

Queima tudo

Até por que depois nas cinzas tem

O Bom

até que este seja Ruim

mais uma vez.



Imagem: Georgia O'Keefe – Ram's Head White Hollyhock and Little Hills, 1935.

(ouvindo Nick Cave – O Children.)


terça-feira, 1 de novembro de 2011

A Questão.


Lendo o Finkler Question do Howard Jacobson. No livro Julian Treslove(muito amor, nome genial!), um protagonista alucinado vive "premeditando" sua vida amorosa desastrosa até que a vida bate, literalmente, sua carteira:


"That was what Treslove found most galling. Not the interruption to one of his luxuriating, vicariously widowed reveries. Not the shocking suddenness of the attack, a hand seizing him by the back of his neck and shoving him so hard into the window of Guivier’s violin shop that the instruments twanged and vibrated behind the shattering pane, unless the music he heard was the sound of his nose breaking. And not even the theft of his watch, his wallet, his fountain pen and his mobile phone, sentimental as his attachment to the first of those was, and inconvenient as would be the loss of the second, third and fourth. No, what upset him beyond all these was the fact that the person who had robbed, assaulted and, yes, terrified him — a person against whom he put up not a whisper of a struggle — was . . . a woman. "

Na minha porca tradução:

"Isso foi o que Treslove achou mais irritante. Não a interrupção de um de seus luxuriosos, devaneios obscenamente enviuvados. Nem o choque repentino do ataque, um mão o agarrando pela nuca e o empurrando tão forte contra a janela da loja de violinos Guivier's que os instrumentos ressoaram e vibraram atras do painel estilhaçando, a não ser que a música que ouvira fosse seu nariz quebrando. E nem mesmo o roubo de seu relógio de pulso, sua carteira, sua caneta tinteiro e seu telefone celular, tão sentimental quanto fosse seu apego ao primeiro destes, e inconveniente como fosse a perda do segundo, terceiro e quarto. Não, o que o chateou além de tudo isso foi o fato de que a pessoa que o havia roubado, aracado e, sim, aterrorizado - uma pessoa contra quem ele nem sequer sugeriu uma reação - era... uma mulher."


Jacobson, Howard
"The Finkler Question"
Bloomsbury, 2010

O Dia em que o Ruffato confundiu meu nome

SÃO PAULO, 28/10/2011, 19h – Livraria Cultura (Conj. Nacional); Estado: etílico. – No meio da minha canalhice em despejar o quinteto do “Inferno...” para o Ruffato assinar me atrapalhei no meu próprio blues etílico e engrolei uma história fajuta que só podia dar errado. E deu. O brother foi simpático, mas ficou difícil saber se ele entendeu que eu era o André de Leones ou se eu estava pedindo para que ele assinasse a pentalogia para o Andrézito, meu soul brother. Resumo: Lúcia, Júlia, Lila, Maria Fernanda rindo da minha cara de bêbado, e um André satirizando com um Ruffato envergonhado tentando entender a pataquada. Moral da História? Encher a cara antes de um lançamento pode te render uma grana quando a pentalogia de um grande escritor autografada para outro grande escritor for raridade. Vou ficar rico cinquentano pá frente negada. (caiu da cama.)


Bebeu Daniel?



Post Scriptum: Imaginem os trocadilhos com a série de livros do Ruffato e meu “Inferno Provisório” pessoal.


Post Scriptum II: Imaginem o resto da noite, até por que é muito surreal (leiam amoral) para contar.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Poema 7

Um brinde ao diabo e o enxofre com T maiúsculo. (ou Vênus, uma vida)


Bastasse respirar um pouco a tensão para fora do corpo

Bastasse, vez ou outra, sentir,

com maior ou menor estupidez,

as pontas e rebarbas dessa sociedade encalacrada

Bastasse a palavra que esconde as três temáticas desse poema.


Mas não basta.

Tem dias em que a dor é grande

A dor é física

A dor é filhadaputa.

É imaginável (o que é pior.)

É palpável.

Às vezes até palatável.

Tem gosto de pilha

Um amargazedo da vida.

Sem sadismo. (o que é pior)

Sem sal. (nem ao menos nos olhos que é bom pra ver se dói um pouco de verdade.)


Bastasse respirar um pouco o cheiro de pilha

O gosto de chuva e pontas

amargazedo das rebarbas da estupidez

a chuva ácida, não como a de Vênus, que de sulfúrico

tem tudo,

mas como a nossa, que de Vênus tem nada


sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Poema 6

soconoestômagô


Dedada no olho soconoestômagô

Cotonete molhado.

Tecido de seda que estica rasgando órgãos internos.

Minha virgindade traumatizada

Meu cu esfolado

Minha virilidade exacerbada

Exagerada

Jogada na grama com meus rins

Cozinhando

No sol

Ah se eu pudesse me virar do avesso

Me abrir por inteiro

Mostrar a eles cada detalhe do meu ser

Dizer,

Sem medo

Exposto ao vento

Esse diafragma

Ah esse diafragma

esse diafragma, amigo

cantou a nona de Beethoven


quinta-feira, 29 de setembro de 2011

I Could Spit on a Stranger


Ontem vendo o lendário episódio lendário episódio Ducky Tie da lendária série How I Met your Mother, pensando em como tudo aquilo é legend... wait for it ...dary! me bateu uma melancoliazinha funda, daquelas doídas.


A série está acabando eu sei e eu estou entrando em abstinência dela.


A série em si é simples, as histórias conhecidas, muitas piadas até são lugares comuns, mas o timing dos atores, a caracterização dos personagens, e toda o cuidado da série da retomada de detalhes de todos os episódios, criando uma mitologia própria é única.

É algo que nunca vi em série alguma. Nem em Friends, que me desculpem os puristas.


Ontem, num final genial, onde a série mistura uma história melancólica a um outro storyline hilário que demonstra a cumplicidade não só dos personagens, mas como dos atores envolvidos na série, um final onde um sentimento de liberdade pelo simples e puro desapego, um I don't care simples catártico na vida de todo mundo que já enfrentou desilusões o suficiente para se importar, nesse fim de episódio doloroso, uma canção, do Pavement, Spit on a Stranger, cantada por Kathryn Williams numa versão doce, que lhe conferiu um tom um tanto irônico, mas principalmente catártico, se fez como um adorno à minha melancolia.


Eu lembrei do Pavement, essa banda sensacional dos anos 90. O Pavement, que lançou Spit on a Stranger no seu último disco de estúdio. O Pavement que se reuniu no ano passado para uma última turnê me dando a oportunidade de poder ter um gostinho de um show deles e foi só.


O Pavement acabou de verdade. Todas as letras originais no envolucro sensacional das desafinações, distorções e tempos malucos que realçam as belezas melódicas, as interpretações geniais de suas musicas são agora coisas do passado. Spiral Stairs, acho que foi ele, disse que a reunião foi divertida, mas o Malkmus não faz músicas mais como fazia no Pavement, mesmo que continuem ótimas como as que faz no The Jicks, o espírito criativo do Pavement não existe mais.


Foi bom enquanto durou.


E agora temos Preston School of Industry e Stephen Malkmus and the Jicks e as lembranças do Pavement.


Meu coração ficou mais fundo. Como diz o Oskar Schell, minhas botas ficarão mais pesadas.


Oskar Schell, hmm.


Oskar Schell que me fez sonhar uma vez com suas invenções como pequenos microfones para nossos corações instalados nos bolsos dos macacões. Para quem sabe nossos corações sintonizarem, como menstruação de mulheres que vivem juntos, e numa maternidade o som seria de uma sala cheia de cristais, e no fim da maratona de Nova York seria como a guerra.


O Oskar que me deu a informação que existem mais pessoas no mundo (estranhos) que gente morta e que se todo mundo quisesse interpretar Hamlet ao mesmo tempo não haveria crânios o suficiente.


O Oskar que quis inventar uma jaqueta de sementes de pássaros para que estes se empoleirassem nela e levasse seu usuário pelos seus e assim, quem sabe, a pessoa não podia sair voando de andares mais altos de um prédio atingido no meio por um avião.


Hmm.


Pensei na morte, sabe. Pensei em Philip Roth, esse escritor genial, que tem 78 anos e logo, bem logo mesmo também acabará.

Hmm.


O Oskar Schell, personagem de Extremamente Alto e Incrivelmente Perto de Jonathan Safran Foer, conquistou fãs com suas idiossincracias (talvez conseguirá mais alguns com o filme que estreará logo. O livro em que ele existe tem umas 500 páginas, das quais ele ocupa um terço mais ou menos. Philip Roth aceitou a morte já há uns vinte anos pelo menos, mesmo que nós não. How I Met your Mother se estica um pouco mais sempre, adiando um final inevitável (e necessáriamente belo). O Pavement acabou sem ser reconhecido (nem mesmo muito pelos setores mais alternativos) pelas suas musicas maravilhosas.


Tudo acaba.


Não acho, no entanto, que Spiral, Malkmus e os outros se importaram com isso. Não acho que ninguém que citei se preocupou com isso.


A imortalidade.


Isso não importa na verdade. Nada é imortal, mesmo aquilo que todo mundo considera. Penso que é melhor se divertir por um tempo do que ser imortal para nada. É muita responsabilidade para algo que não significa absolutamente nada.


Então, ao ouvir Spit on a Stranger, me deparei com uma visão totalmente diferente desta canção. I could spit on a stranger, eu poderia cuspir num estranho. A sensação de liberdade melancólica de não se importar. De ser pequeno e daí, de se submeter à morte, de dar significado ao menor ao desimportante ao pouco falado. Achar nas pequenas palavras uma beleza como Heaven is a truck it got stuck on the breeze, ou cantar desafinado a voice coach taught me to sing he couldn't teach me to love... all the above, uma deliciosa beleza.


I could pit on a stranger. Now I see the long and short and middle and what's in between.


Talvez a musica nem fale disso mesmo, mas não importa. Para mim está lá.


Honey you're a prize and I'm a catch and we're a perfect match.

Like two bitter stranger.

Now I see the long and short of it and I can make it last.

I could spit on a stranger

You're a bitter stranger.


quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Inexistência

Escrevo sobre a luz inevitável de um surto psicótico narrativo. Impossível não se cegar com o caos. Por isso arranco os meus olhos e murmuro baixinho, como Kurtz, o horror, o horror...


Me perco na solidão autoritária de Conrad. Tenho que aprendê-lo se isso é possível, por isso não me cego. Extirpo o mal de ver com os olhos que de nada me servem.


Os olhos.


Os olhos apenas apontam para a esquerda ou a direita. Para o palpável. O palpável é uma ilusão, um glossário malfadado à inexistir.


Inexistência, o maior dos otimismos.


Tudo.


André de Leones escorregou no meu romance. Inexistência. Pensei em me retratar também. Aviso: não tenho alter egos. Não tenho identidade.


Inexistência.


Por isso não posso existir na minha própria criação. Ao mesmo tempo tudo ali sou eu.


Que se dane. Aquilo que há é nada e, mesmo isso, é tudo o que há e é aí que confirmo o caos por me agarrar a isso. Às pequenas coisas.


Pequeno.


Inexistência.


P.S.: Explodir na frente de todos, ainda assim.

Aquele que eu roubei do André de Leones

Curioso por essa publicação da Cia das Letras roubei esse post do blog do André, que queria ter escrito o livro de ouro da yoga, E a vida é linda.

“Os livros que os divertem não têm figuras.”

by André de Leones

OPINIÃO SOBRE A PORNOGRAFIA
Wislawa Szymborska

Não há devassidão maior que o pensamento.
Essa diabrura prolifera como erva daninha
num canteiro demarcado para margaridas.

Para aqueles que pensam, nada é sagrado.
O topete de chamar as coisas pelos nomes,
a dissolução da análise, a impudicícia da síntese,
a perseguição selvagem e debochada dos fatos nus,
o tatear indecente de temas delicados,
a desova das ideias – é disso que eles gostam.

À luz do dia ou na escuridão da noite
se juntam aos pares, triângulos e círculos.
Pouco importa ali o sexo e a idade dos parceiros.
Seus olhos brilham, as faces queimam.
Um amigo desvirtua o outro.
Filhas depravadas degeneram o pai.
O irmão leva a irmã mais nova para o mau caminho.

Preferem o sabor de outros frutos
da árvore proibida do conhecimento
do que os traseiros rosados das revistas ilustradas,
toda essa pornografia na verdade simplória.
Os livros que os divertem não têm figuras.
A única variedade são certas frases
marcadas com a unha ou com o lápis.

É chocante em que posições,
com que escandalosa simplicidade
um intelecto emprenha o outro!
Tais posições nem o Kamasutra conhece.

Durante esses encontros só o chá ferve.
As pessoas sentam nas cadeiras, movem os lábios.
Cada qual coloca sua própria perna uma sobre a outra.
Dessa maneira um pé toca o chão,
o outro balança livremente no ar.
Só de vez em quando alguém se levanta,
se aproxima da janela
e pela fresta da cortina
espia a rua.

Em Poemas.
Tradução de Regina Przybycien.
[Cia. das Letras - 168 páginas.]

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Poema 5

Vez ou outra arrisco um poema.

Pele morta,

Cabelos que caem despedaçando o poeta por todos os cantos

Retalhos de mim mesmo,

A calvície dói,

é um calvário

(trocadilho intencionado)

A cabeça coça com o prospecto da vida inteira

de perdas

Vez ou outra arrisco um poema

Tenho aflição a unhas compridas,

Preciso cortá-las

tenho que apará-las

e ver

Vez ou outra arrisco um poema.

Deixo as marcas das outrora reinantes unhas

pedaço de osso

Cartilagem inútil

transparecem na minha pele

vivas e

presentes

por um dia ou outro ardem

fantasmas

eu cravo o toco afiado que sobrou

nos dedos

eu faço doer.

Vez ou outra arrisco um poema.

Até que novas unhas cresçam e eu

neurótico

as corte, decepe, mutile

as unhas doem

Como todos os filhos que eu desperdicei nas tardes de tédio.



segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Uma reflexão de Philip K.Dick


Numa realidade alternativa onde o Japão e a Alemanha foram os vencedores da Segunda Guerra, Philip K.Dick, ambienta com muita ironia seu romance The Man in the High Castle. Separei essa citação, de uma cena onde um homem de negócios sueco, ao ser iterpelado por um “artista moderno” alemão, reflete sobre os tempos que vive e seu “parentesco racial” com o homem. Em tempos de neo-fascismo exarcebado, seria bom a gente lembrar dessas palavras.


O original:


I hope we will see one another later on in San Francisco,' Lotze said as the rocket touched the ground. 'I will be at loose ends without a countryman to talk to.'

'I'm not a countryman of yours,' Baynes said.

'Oh, yes; that's so. But racially, you're quite close. For all intents and purposes the same.' Lotze began to stir around in his seat, getting ready to unfasten the elaborate belts.

Am I racially kin to this man? Baynes wondered. So closely so that for all intents and purposes itis the same? Then it is in me, too, the psychotic streak. A psychotic world we live in. The madmen are in power. How long have we known this? Faced this? And — how many of us do know it? Not Lotze. Perhaps if you know you are insane then you are not insane. Or. you are becoming sane, finally. Waking up. I suppose only a few are aware of all this. Isolated persons here and there. But the broad masses . . . what do they think? All these hundreds of thousands in this city, here. Do they imagine that they live in a sane world? Or do they guess, glimpse, the truth . . . ?

But, he thought, what does it mean, insane? A legal definition. What do I mean? I feel it, see it, but what is it?

He thought, It is something they do, something they are. It is -their unconsciousness. Their lack of knowledge about others. Their not being aware of what they do to others, the destruction they have caused and are causing. No, he thought. That isn't it, I don't know; I sense it, intuit it. But — they are purposely cruel . . . is that it? No. God, he thought. I can't find it, make it clear. Do they ignore parts of reality? Yes. But it is more. It is their plans. Yes, their plans. The conquering of the planets. Something frenzied and demented, as was their conquering of Africa, and before that, Europe and Asia.

Their view; it is cosmic. Not of a man here, a child there, but air abstraction: race, land. Volk. Land. Blut. Ehre. Not of honorable men but of Ehre itself, honor; the abstract is real, the actual is invisible to them. Die Güte, but not good, this good man. It is their sense of space and time. They see through the here, the now, into the vast black deep beyond, the unchanging. And that is fatal to life. Because eventually there will be no life; there was once only the dust particles in space, the hot hydrogen gases, nothing more, and it will come again. This is an interval, ein Augenblick. The cosmic process is hurrying on, crushing life back into the granite and methane; the wheel turns for all life. It is all temporary. And they — these madmen — respond to the granite, the dust, the longing of the inanimate; they want to aid Natur. And, he thought, I know why. They want to be the agents, not the victims, of history. They identify with God's power and believe they are godlike. That is their basic madness. They are overcome by some archetype; their egos have expanded psychotically so that they cannot tell where they begin and the godhead leaves off. It is not hubris, not pride; it is inflation of the ego to its ultimate — confusion between him who worships and that which is worshiped. Man has not eaten

God; God has eaten man.

What they do not comprehend is man's helplessness. I am weak, small, of no consequence to the

universe. It does not notice me; I live on unseen. But why is that bad? Isn't it better that way?

Whom the gods notice they destroy. Be small . . . and you will escape the jealousy of the great.

As he unfastened his own belt, Baynes said, 'Mr. Lotze, I have never told anyone this. I am a

Jew. Do you understand?'

Lotze stared at him piteously.

'You would not have known,' Baynes said, 'because I do not in any physical way appear Jewish; I

have had my nose altered, my large greasy pores made smaller, my skin chemically lightened, tife

shape of my skull changed. In short, physically I cannot be detected. I can and have often walked in

the highest circles of Nazi society. No one will ever discover me. And-' He pause



A tradução:

— Espero que nos encontremos depois em São Francisco — disse Lotze, enquanto o foguete tocava o chão. — Ficarei perdido sem um conterrâneo com quem conversar.

— Não sou conterrâneo seu — disse Baynes.

— Ah, sim, é verdade. Mas, racialmente, está muito próximo. Para todos os efeitos, dá na mesma.

Lotze começou a agitar-se na poltrona, preparando-se para desamarrar os complicados cinturões.

Estou racialmente próximo deste homem? — perguntou-se Baynes. Tão próximo que, para todos os efeitos, dá na mesma? Então também possuo o traço psicótico. O mundo psicótico em que vivemos. Os loucos estão no poder. Há quanto tempo sabemos disto? Encaramos isto? E... quantos de nós sabem? Lotze não. Talvez se a gente souber que é louco então não esteja louco. Ou está, finalmente, deixando de ser. Acordando. Suponho que apenas poucos tenham consciência disto. Pessoas isoladas, aqui e ali. Mas as grandes massas... o que pensam? As centenas de milhares de pessoas aqui nesta cidade. Será que imaginam que vivem num mundo são? Ou adivinham, entrevêem, a verdade...?

Mas, pensou, o que significa louco? Uma definição legal. O que quero dizer com isso? Eu sinto, vejo, mas o que é?

É alguma coisa que eles fazem, alguma coisa que são. É seu inconsciente. Sua falta de conhecimento dos outros. Não sabem o que fazem aos outros, desconhecem a destruição que causaram e estão causando. Não, pensou. Não é isso. Eu não sei; sinto, tenho a intuição. Mas... são deliberadamente cruéis... é isso? Não. Meu Deus, pensou. Não consigo encontrar, esclarecer. Será que ignoram partes da realidade? Sim. Mas é mais do que isso. São seus planos. Sim, seus planos. A conquista dos planetas. Algo frenético, demento, como a conquista da África e, antes disso, Europa e Ásia.

Sua visão: é cósmica. Não um homem aqui, uma criança ali, mas uma abstração: i-aça, terra. Volk. Land. Blut. Ehre. Não homens honrados, mas Ehre em si, honra: o abstrato é real, o real c invisível para eles. Die Güte, mas não homens bons, este homem bom. É seu sentido de espaço e tempo. Enxergam além do aqui, do agora, no vasto, negro e profundo além, o imutável. E isto é fatal à vida. Porque conseqüentemente não haverá mais vida; houve um dia em que o espaço era só partículas de poeira, gases quentes de hidrogênio, mais nada e será assim outra vez. Isto é um intervalo, ein Augenblick. O processo cósmico está se acelerando, fazendo a vida retroceder ao granito e ao metano; a roda gira para toda vida. Tudo é temporário. E estes — estes loucos — obedecem ao granito, ao pó, ao apelo do inanimado; querem auxiliar a Natur.

E, pensou, eu sei por quê. Querem ser os motores da história, não as vítimas. Identificam-se com o poder de Deus e acreditam-se a sua imagem. É esta sua loucura básica. Foram dominados por algum arquétipo; seus egos expandiram-se psicòticamente ao ponto de não saberem onde eles começam e onde pára a essência divina. Não é orgulho; é uma hipertrofia do ego levado ao seu máximo — confusão entre quem adora e quem é adorado. O homem não devorou Deus; Deus devorou o homem. O que não compreendem é a fragilidade do homem. Eu sou fraco, pequeno, sem a menor importância diante do universo. Não sou notado dentro dele; vivo sem ser visto. Mas por que isto é mau? Não é melhor assim? Quem chama a atenção dos deuses é destruído. Seja pequeno... e escape à inveja dos grandes.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Rumo a destinos desconhecidos.


Esta semana despi-me de meu lado contemplativo e literal e literariamente embarquei em dois clássicos aventurosos. Tenho que reler Conrad para uma matéria da faculdade e o Pynchon, bem o Pynchon é sempre bem vindo. Heart of Darkness e Against the Day são dois petardos da literatura onde um mundo misterioso se desenrola à frente de nossos olhos como se pintados por um mestre renascentista: uma clareza simbólica sublime. Genial.


O tom clichê da crítica não é por acaso.


O realismo cru do primeira e a ironia deliciosa do segundo (sem contar as artimanhas metalinguísticas de ambos) me fazem perguntar por que não nos divertimos mais com literatura.


Não que romances de teores mais metafísicos ou estruturas mais contemplativas sejam chatos, mas o tom pedante que tende-se a dar às relevâncias de valor humano e social à histórias, ca-ham, mais “sérias” me irrita um pouco. Sou fã de uma boa peripécia e acho que grandes autores digamos até mais “sisudões” colocam sempre uma boa pitada dela no seu caldeirão. Vide Faulkner, Hardy, McCarthy, Hemmingway, etc. Etc.


(até nas obras mais artificiosas se encontram um fundamento peripértico essencial. Ulysses, por exemplo)


Então creio que a história por trás do grande e elevado significado importa e importa muito. E me encantam boas histórias, mesmo que estas sejam boas pela forma que se conta. Ah, o bom e velho Tchekhov...


Como ouvi uma vez do João Adolfo Hansen, por quê não nos divertimos com a literatura? Por quê temos que dissecá-la, classificá-la e analisá-la minuciosamente para que se torne boa “L”iteratura?


É óbvio que os dois romances que cito no post são muito mais que meras aventuras e não preciso nem entrar no mérito de sua significância, pois esta sustenta-se por si mesma. Ressalto, no entanto, a deliciosa aventura que são e recomendo que todos os visitem de vez em quando.


Vou mais ao fundo, e talvez polemizando mais, pergunto: e os romances tidos como apenas de entretenimento como os de King e Gaiman? Será que devemos desprezá-los por quê eles não tem a ambição de um Cheever ou de um Guimarães Rosa? Ou será que devemos dizer que eles não possuem tais ambições traduzidas nas suas próprias personalidades autorais?


Sei que aprendi a gostar de ler também com esses dois autores e até hoje os leio com muita diversão. Há obras deles que ainda figuram como umas das melhores leituras que já fiz (Misery, do King e American Gods do Gaiman).


Talvez tenha aprendido errado, mas aprendi a sempre ler uma história quando leio. E me divertir com ela.


Portanto digo aos meus amigos Toddynho da vez, meus companheiros de aventuras, me levem rumo a destinos desconhecidos. Sempre.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Poema 4

Bicho de Pé.


Antes fosse geográfico

Construindo-se lentamente pelas beiradas

Ralando os cotovelos

E os joelhos

Espremendo dedos nos remendos das calças

rasgadas e rotas

de outros tempos

em que se esconder era bom

e não ter o tempo.

As horas liquidadas pelo nada

minutos, segundos, milésimos

de segundo.


E o ruim era ser todos.


Por que é que a gente pensa que se entende,

quando o bom é se perder?

E não ser achado.

Nem por si.

Menor.



quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Poema 3

Ato Solo


Vamos despir toda proteção

não quero conforto

apenas o ser finito, acabado e previsível


Quero um lugar para me esconder.


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Melancholia


Geralmente quando o assunto de uma conversa boa se envereda por alguma razão qualquer sobre o fim do mundo, apocalipse e derivados (é engraçado como esse assunto não tem hora nem lugar para aparecer, intrometido que é), eu sempre tenho um comentário: O Mundo já acabou faz tempo e esqueceram de avisar.


Fatalismos a parte, o pessimismo básico dessa reflexão, para mim é algo de extrema paz. Eu não sou muito inclinado a acreditar seja em Deus ou no ser humano e, portanto, a vida é bem mais simples sem se surpreender com o óbvio. Ou como diria um poeta punk: Stop searching 'cause there's no anwer, just a long line of disaster, there's no simple way to stop the sadness, life's not fair, I'm glad it's not, this isn't heaven just a lonely planet on the verge of self destruction(Pare de procurar, pois não há resposta, apenas um caminho comprido de desastres, não há modo simples de parar a tristeza, a vida não é justa, estou feliz que não seja, isso não é o Céu apenas um planeta no limiar da autodestruição).


O refrão dessa música (cujo título sugestivo Total Bummer quer dizer uma deprê total, depois de um abuso de substâncias), um emblemático grito de Go Away, Sunny Day(Vá embora, dia de sol!) sempre me vem a cabeça quando as pessoas me olham assustadas com minha falta de descrença. Muitas disfarçam bem, mas a grande maioria deixa transpassar sua inquietação com minha tranquilidade em não acreditar num mundo melhor. Para os mais exaltados eu reformulo: O Mundo já acabou um monte de vezes, qual será a próxima?


Vejam bem ao me prostrar incrédulo perante ao mundo eu simplesmente me divirto mais, produzo mais, vivo mais. Afinal, aproveito a vida que tenho.


Tendo dito isso, apenas um comentário sobre Melancholia: Assistam.


Poderíamos discutir ad nauseum todas as suas referências a Shakespeare e a outros artistas, as belas atuações, a atmosfera onírica e seca ao mesmo tempo, o ritmo frenético do começo e estático do final, as doenças psicológicas, as questões sociais, o uso de Wagner (que com as declarações de Lars Von Trier sobre nazismo dariam um prato cheio), e inclusive poderíamos discutir o fim do mundo.


Mas insisto: Assistam.


Todo mundo sabe da famosa depressão de Lars Von Trier e os frutos desta em Anticristo e Melancholia. Este último contrastando pela sua singeleza contra a agressividade do outro. Anticristo é o caos (chaos reigns), Melancholia é a paz que resulta da compreensão e aceitação do caos. Belo, é um filme que vai ficar na sua cabeça por muito tempo. Espero apenas que você tenha a serenidade de não se desesperar ao inevitável.


Afinal, o mundo já acabou.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Poema 2

Deite-se na terra fria

Não descalce os tênis, furados, nas solas

O solo aquece o sol frio,

de gelo,

Não há ventos aonde vamos, apenas

Frio.

Estático.

Há penas, mas aquela dor debaixo das unhas, entre os dois testículos

passou

está morta

Já lhes disse que não descalcem os tênis

violentados

pelas palavras, literatura jovem

afogado por símbolos esvaziados

IN significantes

Dependendo do ponto de vista você pode até fingir que é poeta.


Som e [Cor(vo)] Fúria




Existe uma coisa em literatura que eu gosto de associar com musica: o timbre. Ele serve de metáfora para estilo, mas vai além. Assim como o timbre de um grupo musical não é afinação (aliás é possível um grupo ser timbrado e desafinado ao mesmo tempo), o “timbre” literário a que me refiro tem muito mais a ver com um sonoridade que mantém uma coesão com um grupo de escritores.

Que fique claro que, estar timbrado com outros autores, não significa não possuir sua própria voz, mas apenas harmonizar, ressoando mesmo (quem está familiarizado com teoria dos harmônicos entende que se uma nota musical entra em contato com a possibilidade de ressoar outras notas do mesmo campo harmônico ocorre um efeito belo, metafísico) com outros autores essa música bonita chamada Literatura.

Quem acompanha a tal, aquela com L maiúsculo, sabe que a literatura americana tem sido a privilegiada com uma cena coesa e harmonizada, digamos, para continuar no campo semântico/harmônico. Escritores como Foer, Franzen, Foster Wallace, Sedaris, Krauss, o mais velho Auster, se destacam por estarem fazendo uma literatura de peso que ressoa tudo o que já foi feito com uma linguagem nova, com um feeling novo. Uma literatura em que o social está presente, como sempre esteve, mas que se preocupa com questões midiáticas de leitura e do leitor, refletindo como nunca sobre literatura, fazendo assim a sua meta ficção, com a linguagem do século XXI.

Além disso é ótima, na minha opinião, por quê é literatura de feeling. De arrepiar, muitas vezes. Eu gosto desse gosto frenético na boca. Deve ser essa linearidade manca que eu tenho sendo um jovem no século XXI, mas vá lá. Isso um dia se explica.

Isso tudo para falar do Azul Corvo, romance de Adriana Lisboa de 2010, que concorreu ao prêmio São Paulo de literatura. Para mim, junto com Como Desaparecer Completamente do André de Leones, o melhor romance brasileiro daquele ano. A história é narrada por Vanja, uma garota que acaba de perder a mãe no Brasil e volta aos EUA, lugar onde nasceu, para morar com o pai de certidão, um outro brasileiro chamado Fernando, que a ajudará a encontrar seu pai verdadeiro, o americano Daniel. A partir daí, Vanja narrará como entrou em contanto com os destroços de todos os personagens envolvidos, e seus próprios, que dão sentido para sua existência, seja ele qual for.

É uma história simples, antiga, mas por isso mesmo, contada de forma bela. Essa temática da busca pelo ancestral, pelo pai, sempre apresentada pela figura masculina de certa forma aparece representada pela feminilidade da narradora. E isso dá um charme especial e particular. Até por que a procura de Vanja pode se entender como algo além de uma identidade pessoal, mas uma identidade local, pátria. Interessante é pensar como o oximoro pátria-mãe se traduz particularmente nesse jogo de feminilidade em meio ao mundo masculino que restou para Vanja. O mais interessante, talvez seja a associação da amalgama dois dois no elemento comum que Vanja estabelece entre suas duas pátrias: A cor, mais especificamente O azul-corvo das conchas do Rio, ou os corvos azul-concha do Colorado

Talvez por essas características, de começo, me lembrei do Oskar Schell de Extremamente Alto Increvelmente Perto, mas Vanja é mais adulta e o que ela fala é mais cortante (talvez pela proximidade), mesmo que doa tanto quanto. E a linguagem está ali, essa elevação do prosaico na linguagem que compõe o cerne da literatura está ali, porém com a característica moderna de elevar o prosaico pela linguagem prosaica que se revela especial. Adília Lopes, poeta portuguesa, consegue fazer isso com maestria e assim como o Foer, como o Franzen, Adriana transgride esse limite da linguagem prosaica elevando-a numa beleza fantástica.

Talvez por isso, por quê ela ressoou estes autores americanos de que gosto tanto (especialmente o Foer) o romance de Lisboa me conquistou de cara. Não qé ue ela esteja tentando ser igual a uma literatura americana, até por que não acredito que os escritores de lá estejam querendo fazer uma, mas sim por que os ecos de algo muito bom que li ressoando naquele romance tão belo que tinha a minha frente.

É bem mais simples. De certa forma, essa harmonização para mim é musica, e isso só faz ganhar a literatura. Ler Azul-Corvo é passear por uma sinfonia literária. Talvez, também, por que Adriana também tenha sido musicista (embora nunca tenha a visto nessa função), mas sua literatura é assim: musical.
O livro é delicado pela sua singeleza no sentimento, mas ao mesmo tempo é ríspido cruel e gruda nas nossas cabeças como uma bala alojada. A literatura transgride o ambiente emocional e familiar de uma história particular, tocante pela sua beleza e está lá para relembrar. Adriana se prova mestre nisso. Ela assim se aproxima das cenas mais cruéis e dos assuntos mais terríveis com naturalidade e sutileza, elevando-os a uma beleza, conferindo-lhes mais uma vez (pois estes não podem ser esquecidos) importância.

Já faz muito tempo, um velho bardo disse algumas palavras sobre a vida, chamando ela de som e fúria. Eu como musico sofrível e protótipo de escriba penso que o casamento nas texturas, cores e sons som da música com a fúria da linguagem é uma coisa linda, como o som de harmônicos leves numa manhã de domingo em que o sol faz cócegas nos olhos.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

I stopped swimming, learned to surf!







O Superchunk é uma das bandas mais antigas e mais clássicas do cenário underground americano. Criado no fim dos 80, o grupo teve alguns sucessos pelos 90, como Slack Motherfucker e Hyper Enough, seus maiores hits até hoje. Essas duas canções são bons exemplos do estilo da banda: Pegada rápida e melodias entrelaçadas nas letras prosaicamente belas. Ou como eu gosto de dizer: O som perfeito para pogar*.


Me lembro de me apaixonar pela banda gravando VHSs de episódios do finado Lado B, da MTV. Clipes de musicas como The First Part, Package Thief, Throwing Things, Watery Hands, Art Class, etc. fizeram grande parte da minha educação sentimental, garimpadas quase literalmente, pois na época a internet não era para todo mundo e para se ouvir músicas alternativas gravavamos estes programas com VHS e Cassetes, só para depois irmos na galeria do rock pedir para os atendentes tocarem bandas que você queria ouvir para decidir se comprava o disco ou não. Isso quando não era muito caro, obviamente.


De certa forma, por isso e outras coisas o Superchunk é uma banda muito importante para mim. Na verdade pra muita gente, pois, eles não só influenciaram muita gente como também são donos do selo Merge que lançou excelentes banda como, por exemplo o Arcade Fire (ca-ham nada fraco né?)

Dos discos lançados nos anos 90, o Superchunk tem três petardos: No Pocky for Kitty, de 91, On the Mouth, de 93 e Here's Where the Strings Come In, de 95 (três discos que aliás estão em promoção no site da Merge em seus formatos LP). Completam a discografia dessa primeira fase o homônimo de estreia de 90 e o Foolish de 94.


A partir do Indoor Living de 97, o grupo começou um processo de uma busca por uma sonoridade um tanto diferente, compondo músicas com um andamento mais lento, mais melodias e letras mais cabeças até. Esse processo passou pelo Come Pick me Up de 99 até culminar no Here's to Shutting Up de 2001.


Esse último de certa forma é um hibrido da pegada mais punk do começo da banda com as musicas com sonoridade mais recente que experimentava, resultando numa mistura interessante. Além do mais com um título desse (Esse é pra fechar, numa tradução meio tosca) há um bucolismo que nos fez pensar: Será que eles acabaram? Será uma despedida?


E aí o Superchunk sumiu. De 2001 a 2010 não lançaram mais discos.


Então foi dito que eles lançariam um disco novo em 2010, que se chamaria Majesty Shredding e sairia em setembro.


Eu fiquei ansioso. Como seria esse disco? Que sonoridade teria? O que será que lançariam depois de quase dez anos sem gravar?


Quase dez anos! E que tempo bom para se preparar um disco!

Majesty Shredding é simplesmente perfeito. Era inimaginável para mim que o Superchunk, uma banda com vinte anos de estrada, quase dez anos sem nenhum material novo pudesse aparecer com um disco novo com tanta energia de uma banda iniciante e beleza de veteranos experientes como só eles. Que disco lindo!


Eu sempre me perguntei, mesmo antes desse disco, por quê as bandas mais antigas não levavam mais tempos para lançar discos novos. Muitas delas lançam um atrás do outro, todos iguais e sem qualidade. Bandas ótimas continuam esse círculo vicioso sem a menor necessidade.


Mas isso é outro assunto, vamos ao disco:


Eu tomei a liberdade de dividir o disco em três partes que comentarei sobre:


PARTE 1 – O carro-chefe.


Uma boa parte de álbuns bons tem um bom carro-chefe, aquele conjunto de musicas boas que independente de qualquer direcionamento do disco na história ou na cabeça mesmo das pessoas são aquelas que ficarão, figurarão nos setlists vindouros se tornando clássicos instantâneos. É o caso das quatro primeiras musicas.


Faixa 1 – Digging for Something – Musica que se auto explica. Um rock poderoso com um belo riff e letra e melodia cativante. Só poderia ser a faixa 1 anunciando o que podemos esperar do álbum. They were digging for something*2!


Faixa 2 – My Gap Feels Weird – Continua na mesma levada, até acelerando um pouco. Uma letra genial sobre ficar velho, com versos ótimos sobre a juventude (there's not enough eyeliner in this world, not for the sadness of you boys and girls!*3)


Faixa 3 – Rosemarie – Primeira balada, mas com uma batida pra frente, tem uma das melodias mais belas do disco. O refrão da musica com certeza é o primeiro que gruda na sua cabeça te fazendo cantar o dia inteiro.


Faixa 4 – Crossed Wires. Para mim a musica que mais traduz o Superchunk no começo da carreira. Energética, rápida com uma letra nervosa é uma canção poderosa que fecha a primeira parte do disco que só teve petardos até agora. O clipe de Crossed Wires é genial e mostra algo que todo mundo já quis fazer um dia, tenho certeza .


PARTE 2 – O Acidentado.


Curiosamente esse disco fala muito sobre a passagem do tempo e sobre, digamos assim, acidentes. Nesta parte pelo menos duas canções falam sobre fraturas ou camas de hospitais. As outras duas falam sobre mudanças do tempo e lições sobre isso.


Faixa 5 – Slow Drip – Uma letra divertida, com um refrão cativante que explora o falsete característico de Mac Maccaughan, batida pra frente no mesmo ritmo das primeiras canções, mas iniciando esse segundo grupo de canções mais cadenciadas, mas nem tanto.


Faixa 6 – Fractures and Plasters – Boa canção de melodia, a letra reforça essa imagem de quebrado que Mac explora nas últimas duas canções.


Faixa 7 – Learned to Surf – Para mim esta é a melhor canção do álbum. Poderoso, com um riff matador e uma letra que traduz o que é o Majesty Shredding. Na verdade isso é mais que visível no verso I stopped swimming and learned to surf*4 (façam as contas com a historinha que contei!). O clipe ainda possui imagens do show no Brasil. Épica.


Faixa 8 – Winter Games – Bela canção, quase balada mais uma vez. Uma das melhores letras do disco. A melodia se enrosca na guitarra ritmada e na batida pra frente.



PARTE 3 – A Resposta


Essa terceira parte tem três canções apenas e, para mim, cada uma das três representa uma fase do Superchunk ao mesmo tempo que todas tem a cara nova da banda. A primeira a fase começo dos 90, a segunda fim dos 90 e a terceira, com uma sonoridade nova para a banda o futuro.


Faixa 9 – Rope Light – A terceira e última parte do disco começa com uma musica pop e rápida. A mais rápida do disco e a mais energética.


Faixa 10 – Hot Tubes – Música sing-along, muito melódica, que continua este padrão de refrões grudantes. Uma ótima preparação para o grande finale.


Faixa 11 – Everything at Once – Ótima musica para acabar. Eterea, cheia de feeds e uma letra que traz uma filosofia que traduz a banda nesse momento. Os solos longos levando o disco para um fade in majestoso e bucólico que não diz nada e tudo ao mesmo tempo. Ao futuro!





*1 Pogar – Conjugação do termo Pogo, em inglês, que significa pular (lembra do pogo ball, então?). É o que os ouvintes de um show fazem quando estão animados pelas canções. Alguns pogos são também as famosas “rodinhas”.


*2 They were digging for something – Eles procuravam algo (o termo digging for como gíria pode ser entendido como fuçando mesmo, cavocando pra achar algo)


*3 There's not enough eyeliner in this world, not for the sadness of you boys and girls – Literalmente: Não existe delineador o suficiente nesse mundo, não para a tristeza de vocês garotos e garotas. (dispensa comentários, certo?)


*4 I stopped swimming and learned to surf – Literalmente: Parei de nadar e comecei a surfar!