segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Poema 7

Um brinde ao diabo e o enxofre com T maiúsculo. (ou Vênus, uma vida)


Bastasse respirar um pouco a tensão para fora do corpo

Bastasse, vez ou outra, sentir,

com maior ou menor estupidez,

as pontas e rebarbas dessa sociedade encalacrada

Bastasse a palavra que esconde as três temáticas desse poema.


Mas não basta.

Tem dias em que a dor é grande

A dor é física

A dor é filhadaputa.

É imaginável (o que é pior.)

É palpável.

Às vezes até palatável.

Tem gosto de pilha

Um amargazedo da vida.

Sem sadismo. (o que é pior)

Sem sal. (nem ao menos nos olhos que é bom pra ver se dói um pouco de verdade.)


Bastasse respirar um pouco o cheiro de pilha

O gosto de chuva e pontas

amargazedo das rebarbas da estupidez

a chuva ácida, não como a de Vênus, que de sulfúrico

tem tudo,

mas como a nossa, que de Vênus tem nada


sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Poema 6

soconoestômagô


Dedada no olho soconoestômagô

Cotonete molhado.

Tecido de seda que estica rasgando órgãos internos.

Minha virgindade traumatizada

Meu cu esfolado

Minha virilidade exacerbada

Exagerada

Jogada na grama com meus rins

Cozinhando

No sol

Ah se eu pudesse me virar do avesso

Me abrir por inteiro

Mostrar a eles cada detalhe do meu ser

Dizer,

Sem medo

Exposto ao vento

Esse diafragma

Ah esse diafragma

esse diafragma, amigo

cantou a nona de Beethoven