quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Poema 9


Toda vez que a Odisseia cai em mim eu vejo Musas

Palas Atena, olhos blaus de vendetta

Vingança d'Aquela Musa mais bela, fugídia

Queria para mim um epiteto

Qualquer coisa entre vendedor de terças-feira

e amante profissional

das rotundas platitudes dos reis

Rés pública,

Já dizia Tio Ari, ou Platão

que distribuia olhares de soslaio

às saias das seminuas saracenas

ou seriam Helenas?

Quero um epiteto

Pronto

Prato feito

Qualquer coisa entre desertor das tuas guerras

ou pérfido de carteirinha

de video locadora falida, vencida

com Musas atrasadas e contas mal lavadas

Quero uma Musa para mim

Como Neil Gaimana que aprisionou Calipso

e se tornou Morfeu

Quero uma Musa para mim

Nua como a Odisseia que se abre

arreganhada agora,

na ágora das tua pernas.

De onde escapo, Palas

Atena e Nu.

Telêmaco fajuto

à procura de pai

nenhum.


Imagem: Charles Baude, It was then that Ulysses told Telemachus the truth and kissed his son.

Engraving from 1892

Os Inquietos


Welcome to art class, and yes it does involve shaking your ass”

Superchunk – Art Class



Sábado à tarde, Augusta, depois de uma bruta chuva de verão, a memória:


André: O Van Sant soube aproveitar os clichês.


Daniel: Até as musiquinhas.


André: Filme é bonito.


Eu: Se eu tivesse 16 anos esse filme seria o filme da minha vida.


E de repente deu vontade de ter 16 anos de novo.

Os Inquietos é aquele tipo de filme onde a jovialidade requer todo o tipo de clichê bem encaixado. A temática e principalmente o desenho dos personagens envolvidos são elegantemente e com um tom comicamente belo apresentados a nós. É o tipo de filme que gera camisetas e todo o tipo de memorabília cult.

Nos meus 16 anos os filmes que eu vi foram: Trainspotting, Cova Rasa, Corra, Lola Corra, Réquiem para um Sonho, Seven, Clube da Luta, Boogie Nights, Magnolia, Quero Ser John Malkovich, Psicopata Americano, Amnésia, Fargo, O Grande Lebowski. , etc.Todos grandes filmes, mas todos digamos, bem macho. Talvez possamos dizer que Amelie Poulin, Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças e Por uma Vida Menos Ordinária se aproximam mais com o tom do filme do Sant. Eu gosto muito destes filmes, mas talvez nenhum destes seja tão icônico como Inquietos. Talvez Brilho Eterno, mas daí as temáticas se diferenciam bastante e, os adolescentes d'Os Inquietos seriam muito mais próximos a mim do que o casal do filme do Gondry.

Funciona assim, é uma questão de educação sentimental: A adolescência é algo bizarro, cheio de certezas arbitrárias e incertezas massacrantes. O mundo não é legal. Para mim, tanto a música quanto a literatura, e nessa época principalmente os filmes eram uma questão de afirmação. Assistir Clube da Luta e realmente entender era algo que me definia como alguém diferente de toda aquela babaquice adolescente. Ter a sensibilidade de entender os melindres do casal Kaufmaniano era saber que o amor era algo importante, muito mais importante que a explosão dos corpos no embate cotidiano da anulação da mente que foi crescer no fim dos 90. A mente, a memória, a loucura versus a paralisia, o embasbacamento, a vida ordinária.

O filme de Sant recupera isso. Ele magistralmente entrelaça a vida e o viver de verdade na morte imediata, dura. Vita Brevis. Com certeza eu me identificaria com Annabelle. Tentaria me vestir como Enoch. Até que eu crescesse finalmente e mantivesse a memória afetiva deste tempo.

Não quero dizer que minha filmografia básica dos dezesseis anos, a minha Lira, pra continuar no campo semântico do romantismo adolescente, seja vazia de heróis. Não. Na verdade ela está repleta de anti-heróis e paspalhos, os losers que combinam muito mais comigo. Essa é minha educação sentimental. O que quero dizer é que a dureza da época em que cresci se refletiu no meu canôn cinematográfico e, ali, um Enoch & Annabelle caberiam muito bem para suavizar com um romantismo desiludido e agradável, a aspereza da década de 90. Talvez um advento Truffautiano para adoçar um pouco a vida.

Fato é que Os Inquietos me deu um bucolismo gostoso, uma saudade de algo que eu não tenho saudade a não ser pelas pequenas coisas que foram construindo quem sou, como minha coleção de personagens icônicos e de cenas insólitas. Como minha imaginação acelerada pelo ritmo frenético das luzes.

Queria ter 16 anos de novo para que Os Inquietos entrassem no meu time, na minha gangue, no meu clubinho seleto de mim mesmo.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Elogio do Perdedor


Now you wish you weighed a thousand pounds
So you could crush all those bullies and demons down
From your seat at the back of the bus
You're still waving back at us

Você gostaria de pesar uns mil quilos agora

Só pra poder esmagar aqueles valentões e demônios

Do teu banco atrás do ônibus

Você ainda acena para nós



Essa canção do álbum Come Pick Me Up, de 1998 do Superchunk, começa com uma das frases mais emblemáticas que um loser que cresceu nos anos 90 pode querer: Você finalmente puxou de volta quando o mundo puxou teu cabelo.

Loser.

Era o que eu realmente era naquela época, na metade de 1999, com os meus 14 anos e toda a esquisitice que alguém de 14 anos pode ter. Ser loser era aquilo: um garoto magrelo que ouvia Nirvana o dia inteiro (e acreditava que o Kurt ainda era vivo!), que não cabia em nenhuma das suas roupas (moda era algo incompatível comigo), que era inteligente demais para ser legal(aprendi inglês mais ou menos ali e entendia as letras do Cobain mais que todo mundo e menos do que entendo agora), era sensível demais para chorar pela garota que era apaixonado (quando disse eu te amo e saiu correndo pra chorar no ombro do melhor amigo!), que desesperadamente tentava aprender a tocar guitarra para impressionar garotas (por que era o que o mundo pedia), que nunca tinha beijado ninguém (nem ia até um ano e meio depois, aos dezesseis, todo enlameado no show da mix, uma garota seis anos mais velha), e simplesmente existir como pessoa deslocada, tímida que nem o inferno e inocente o suficiente pra sofrer por isso.

Hoje eu não sei muito bem o que é ser loser. Me parece que isso virou uma espécie de estilo estético de viver. Uma espécie de escolha da moda onde você é chamado de algo tão cool como hipster (se é que eu entendi direito o que é hipster). Mas quando eu era loser, tudo o que eu não queria ser era loser. Não é a questão de me aceitar como eu era, mas de que o mundo não fosse tão cruel. A equação era simples: eu amava todo mundo e queria que o mundo me amasse de volta.

Loser.

Foi então que algum tipo de, sei lá, salvação? Redenção? Chame do que quiser, começou a acontecer. Lá no fim do século passado eu ouvi algumas bandas. Essas bandas tinham letras como “Na garagem me sinto seguro, ninguém liga pras minhas manias”, “Olá falcão, venha me buscar”(onde eu realmente imaginava um falcão vindo me buscar), “Eu tenho pele de buldogue”, “Tive um ataque(paixão) nada funciona, mas eu tenho fé, não é suficiente, nem mesmo fale” “Tão bêbado no sol de agosto, e o você é o tipo de garota que eu gosto, por que você é vazia, e eu sou vazio, e nunca poderemos fazer uma quarentena com o passado” e essa 1000 Pounds que dizia com otimismo no refrão: “Quando ninguém esperava você sobreviveu”.

Entre estas musicas e algumas pessoas que iam aparecendo pelo caminho com gostos similares eu fui sobrevivendo. Mesmo quando ninguém esperava. Entre os VHS e K7s que eu gravava afoito, idas à Galeria do Rock para solicitar audições de Cds de bandas obscuras com a finalidade (ou não) da compra, cabelo comprido, cabelo curto, entrada tardia no mundo da internet e das MP3 (lá por 2005), uma incursão pelo mundo da música erudita (ainda sinto saudades do meu cello), uma depressão fudida, amigos, finalmente sexo, passeios por vários mundos, uma nova personalidade, saída da depressão, finalmente faculdade (Letras e aos 23), 5 anos de namoro, a vontade de escrever, a eterna coceira da música em mim (eu ainda não toco guitarra direito e nem impressiono as garotas), alguns poemas e contos, um romance no forno, quem sabe mais um fim do mundo ano que vem, eu sobrevivi.

Então abra a porta, sou um perdedor bebê, então por quê você não me mata?

Em 2010, o Superchunk lançou um disco novo. Eles não lançavam um disco desde 2001. Essa década, que também foi a década em que eu amadureci, foi a década em que essa banda tão querida para mim cresceu e se tornou vintage. Assim como eu ela sobreviveu, e o que tem a dizer hoje, talvez seja o melhor. O disco, Majesty Shredding, é genial, e eu, como a banda acompanho as letras. Agora eu canto:

“When I learned to walk, you know humans roamed the Earth, I can't hold my breath anymore, I stopped swimming and learned to surf. When I learned to talk I found words that wouldn't worth dirt, heavy like the rocks we carry I stopped swimming and learned to surf!”

“Quando aprendi a andar, você sabe que os humanos vagavam pela Terra, eu não posso segurar o fôlego mais, parei de nadar e aprendi a surfar. Quando aprendi a falar, encontrei palavras que não valiam bosta nenhuma, pesadas como as rochas que carregamos, parei de nadar e aprendi a surfar!”


segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Frank Miller ou Bonitinho, mas Ordinário.




Recentemente a voz de Frank Miller me chegou por dois caminhos. Uma delas, a bem legal, foi a capa que o Miller fez para o Gravity's Raibow do Thomas Pynchon que é genial. A outra foi nas declarações infelizes (não exatamente pela opinião, mas pela forma baixa que as fez) sobre o Ocuppy Wallstreet. Antes disso ouvi que andava fazendo filmes. O último que vi foi a adaptação de Sin City.

tirinha de Ty Templeton sobre o incidente "Miller"

Pra quem não conhece, Frank Miller é um deus dos quadrinhos. Autor das famigeradas séries 300, Sin City e Batman: O Cavaleiro das Trevas, Frank fez seu nome com histórias cruas, tensas, conteúdo violento para adultos aliadas à um traço único e um belo uso de cores.

Expressivo.

Quando vi a capa que fez para o Gravity's Rainbow, que é uma delícia de livro, eu me apaixonei pela edição. Acontece que quase ao mesmo tempo li sobre suas declarações e isso me pôs a pensar: Os babacas também são geniais.

Frank faz parte do grupo de artistas geniais que tem um certo extremismo nas suas opiniões que realmente incomoda as pessoas. Me lembrei de casos clássicos como a de Celine que é odiado na França até hoje por ser um fascista inveterado, ou de Borges que é execrado por seus conterrâneos por causa da sua falta de oposição à ditadura e pela famigerada fotinha junto à Pinochet.

Porém, por mais que se negue, a genialidade destes é genuína.

Podemos pensar que o tempo e, no caso dos dois acima, a localização geográfica podem enterrar esses aspectos mais obscuros de cada escritor. Um exemplo disso é Conrad que sempre foi um conservador radical, muitas vezes extremista e preconceituoso, e que mesmo que ainda tenha seus odiadores é reconhecido com unanimidade pela sua importância para a literatura. Afinal, como todos sabemos, em análise literária a biografia é importante apenas quando isso se reflete na ideia geral de um texto. Em Conrad a camada conservadora é apenas superficial e irrelevante enquanto a estética é revolucionária. A temática de suas histórias são abordadas com agudeza e universalidade não no sentido integrador, mas no sentido explosivo, revolucionário, onde a ideologia, de certa forma, pouco importa.

Não quero dar a Frank Miller a importância de um Borges ou um Conrad (talvez ele tenha a importância de um Celine, talvez), mas o fato é que o quadrinista revolucionou os quadrinhos. Não há quem não tenha se influenciado por seus traços secos e duros e a quase monocromática variação de cores que embelezaram o mundo das HQs elevando-as a outro nível. Assim como Conrad, a estética de Miller é revolucionária. Não como Conrad, as histórias em si carecem de mais profundidade, sendo aquela repetição clássica do anti-herói em meio a um universo ultra-violence onde a ação justiceira de alguns é providencial, necessária. Nos anos 80, esse tipo de visão era palpável, o mundo era outro. Hoje não mais. Conrad tocava em feridas que não eram superficiais, Miller não. Não é à toa que ele viva hoje de requentar seu passado. As declarações que fez não passam de um reflexo do homem cansado que se perdeu em algum lugar dos anos 80 onde pode ser Batman.

No entanto, suas obras-primas são necessárias. A estética ali envolvida ali é genial. Miller não teve a mesma compreensão que um Alan Moore, por exemplo, teve, e é por isso que Watchmen tem muito mais complexidade (vide demora e qualidade da adaptação cinematográfica) que Sin City e é reconhecido por isso. Ainda que o diretor Zack Snyder abuse da estética que ele desenvolveu a partir de Miller no próprio filme adaptado da obra de Moore.

Ou melhor dizendo: ali está a genialidade de Frank Miller. Imaginem como seriam 300 ou Watchmen sem o traço característico? Não seriam.

Frank Miller também abriu as portas para as Graphic Novels adultas no cinema. Mesmo que viva de produções baratas e repetições de fórmula.

Não. Não desprezarei Miller por sua infâmia. Fato disso é ficar admirando a capa de Gravity's Rainbow sem parar.

Frank Miller pode ser um babaca alucinado, mas quem disse que babacas alucinados não tem talento?

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

It's really not that kind to terrorize one in one's sleep


Nunca foi tão significativa essa música. Como inevitavelmente nos apropriamos das coisas para nos significar aí vai um apelo ao som de Pinback e seus dois baixos geniais:

"Realmente não é muito gentil aterrorizar alguém quando dorme."

"É bom te ver. É bom te ver ir embora."

Pinback - Good to Sea

They're moving Earth outside.
The ground is shaking like no beat.
A dense terrible sound.
At once both teeming and asleep.

It seems to me to be a sign.
I don't believe in such, and yet...
It seems to me to keep one eye on the situation's best.

(It's good to see you
It's good to see you go...)2x

It's really not that kind
To terrorize one in one's sleep
And if you really tried
You'd probably cut the chase too deep.


It seems to me that that's a fine way
To keep you off your feet
There seems to be no other side
For the two ideas to meet.

(It's good to see you
It's good to see you go...)x2

Gotta keep your mind on somewhere else.
Gotta keep from thinking of your health.
Strange how your mind works.

(It's good to see you
It's good to see you go...
Oh no I hit rock bottom.)

Everybody Lies


“Doutora Adams: Qual é a desse negócio de todo mundo mente? (Everybody Lies, bordão famoso de House)


House(gritando): Verdade!


(silêncio assustado)


House: Verdade que seus seios ficam todo agitadinhos nesse decote quando você faz afirmações inteligentes.


(silêncio constrangedor.)


House: Eu sei por que Chase não para de olhar para eles.


(Chase desvia o olhar constrangido)


House: mas ele nunca irá falar nada por quê ele quer transar com você, e ele tem medo de que ao admitir isso você não irá querer transar com ele. E é verdade também que qualquer homem iria querer transar com você e eles também não admitiriam olhar seus seios pelo mesmo motivo de que se o fizessem você não quereria transar com eles.


(silêncio indignado de Adams)


House: Mas, a maior das verdades é que você sabe de tudo isso.


(silêncio constrangido de Adams)


House: E essas são apenas algumas das verdades que aconteceram nos últimos minutos aqui.”


Numa transcrição não muito fiel, apenas de memória, da genialidade do texto de House.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Poema 8


Vocês estão errados.

Não queremos a paz.

A paz é estúpida, inepta

A paz é moradia da guerra.

Queremos a transcendência pelo fogo

Queremos nossas drogas.

Não existem pessoas de bem.

Apenas as casas de maribondo da culpa

onde moram os olhos

voluntariamente arrancados

pela indolor incisão psicotropicamente certificada

Mas esperem!

O mar de vazios é inflamável

queima que é uma beleza

Deixe-o torrar

Torra, torra, meu amor

Queima tudo

Até por que depois nas cinzas tem

O Bom

até que este seja Ruim

mais uma vez.



Imagem: Georgia O'Keefe – Ram's Head White Hollyhock and Little Hills, 1935.

(ouvindo Nick Cave – O Children.)


terça-feira, 1 de novembro de 2011

A Questão.


Lendo o Finkler Question do Howard Jacobson. No livro Julian Treslove(muito amor, nome genial!), um protagonista alucinado vive "premeditando" sua vida amorosa desastrosa até que a vida bate, literalmente, sua carteira:


"That was what Treslove found most galling. Not the interruption to one of his luxuriating, vicariously widowed reveries. Not the shocking suddenness of the attack, a hand seizing him by the back of his neck and shoving him so hard into the window of Guivier’s violin shop that the instruments twanged and vibrated behind the shattering pane, unless the music he heard was the sound of his nose breaking. And not even the theft of his watch, his wallet, his fountain pen and his mobile phone, sentimental as his attachment to the first of those was, and inconvenient as would be the loss of the second, third and fourth. No, what upset him beyond all these was the fact that the person who had robbed, assaulted and, yes, terrified him — a person against whom he put up not a whisper of a struggle — was . . . a woman. "

Na minha porca tradução:

"Isso foi o que Treslove achou mais irritante. Não a interrupção de um de seus luxuriosos, devaneios obscenamente enviuvados. Nem o choque repentino do ataque, um mão o agarrando pela nuca e o empurrando tão forte contra a janela da loja de violinos Guivier's que os instrumentos ressoaram e vibraram atras do painel estilhaçando, a não ser que a música que ouvira fosse seu nariz quebrando. E nem mesmo o roubo de seu relógio de pulso, sua carteira, sua caneta tinteiro e seu telefone celular, tão sentimental quanto fosse seu apego ao primeiro destes, e inconveniente como fosse a perda do segundo, terceiro e quarto. Não, o que o chateou além de tudo isso foi o fato de que a pessoa que o havia roubado, aracado e, sim, aterrorizado - uma pessoa contra quem ele nem sequer sugeriu uma reação - era... uma mulher."


Jacobson, Howard
"The Finkler Question"
Bloomsbury, 2010

O Dia em que o Ruffato confundiu meu nome

SÃO PAULO, 28/10/2011, 19h – Livraria Cultura (Conj. Nacional); Estado: etílico. – No meio da minha canalhice em despejar o quinteto do “Inferno...” para o Ruffato assinar me atrapalhei no meu próprio blues etílico e engrolei uma história fajuta que só podia dar errado. E deu. O brother foi simpático, mas ficou difícil saber se ele entendeu que eu era o André de Leones ou se eu estava pedindo para que ele assinasse a pentalogia para o Andrézito, meu soul brother. Resumo: Lúcia, Júlia, Lila, Maria Fernanda rindo da minha cara de bêbado, e um André satirizando com um Ruffato envergonhado tentando entender a pataquada. Moral da História? Encher a cara antes de um lançamento pode te render uma grana quando a pentalogia de um grande escritor autografada para outro grande escritor for raridade. Vou ficar rico cinquentano pá frente negada. (caiu da cama.)


Bebeu Daniel?



Post Scriptum: Imaginem os trocadilhos com a série de livros do Ruffato e meu “Inferno Provisório” pessoal.


Post Scriptum II: Imaginem o resto da noite, até por que é muito surreal (leiam amoral) para contar.