segunda-feira, 30 de setembro de 2013

O Longo Adeus Da Greve de Fome (uma reflexão sobre o final de Breaking Bad)




E no fim Walt venceu. Num plottwist tight, tight, tight, como diria Tuco Salamanca, Breaking Bad encerrou seus trabalhos num final ironicamente feliz. Se invertermos as polaridades negativas temos enfim que:
Flynn ficou rico
Gretchen e Elliott vão ser filantropos contra um nemesis, o que ajuda bastante nos negócios, devemos dizer.
Saul ganhou um spinoff.
Badger e Skinny Pete, um finale.
Marie conseguiu virar a chefa de família que sempre quis
Skyler ganhou na “loteria”
Hank ganhou uma medalha de herói. (presumindo que após encontrado, seu corpo será tratado como um pelo protocolo não?)
Jesse ganhou sua liberdade (num teaser de Need for Speed, filme em que o ator Aaron Paul estrelará(veja o trailer abaixo)?)
Walt se reuniu com o amor da sua vida.
Sim, o baby blue, como sugere a bela canção do subestimado Badfinger ironicamente fechando a série. Não tem muito mais o que dizer sobre Breaking Bad além de que a série provou não ser sobre redenção, punição ou absolvição. A série é sobre a obra-prima de um homem genial. Ironicamente azul como o céu, essa obra-prima encontra acidentes de percurso, como a sua família, seu emprego frustrante, sua capacidade negligenciada, seu orgulho ferido. Acidentes que apenas fazem acelerar o ritmo do trem de carga poderoso que é Walter White rumo ao beijo final.
O reencontro com a metanfetamina era tudo que Walt queria, ele pagou seus deveres:
Flynn e Holly vão ter um futuro,
Marie vai enterrar seu marido,
Skyler tem seu bilhete de loteria para fora da prisão
Jesse tem a sua liberdade até onde a sua capacidade puder leva-lo.
Walter White é Heisenber quando precisa ser, ele não é atormentado por um fantasma maléfico. Ele é e também é Walter White. Obviamente ele ama sua família, mas ela não devia ser sua família. Ela não devia existir. Ele devia ser grande, ele sabia que podia ser grande. Ele não foi. A Grey Matter virou sua maior frustração. Nada mais natural que ela seja a catalisadora de sua obra.
No fim, o que restou foi o seu amor, o último adeus. Não confundam com o amor com próprio ego. Vai além. É o amor ao método, à possibilidade. Ele pode fazer o céu azul e o fez. Isso basta. É triste que ele tenha arrastado todo mundo para o poço sem fundo com isso, mas ainda o fez.
Walter White talvez vivesse se escapasse do confronto final a la Western dos bons (ironicamente o final showdown entre ele e Jesse é mais simbólico e talvez a única porrada moral que Heisenberg leva durante o finale inteiro).  Ele talvez vivesse, mas possivelmente não o suficiente pra ver seu filho tomar para si seu legado em dinheiro.
Não importa. Walt venceu, ele reuniu-se ao significado de sua vida. Sua baby blue.
Há uma canção de Aimee Mann que fala sobre ter um amor que consegue te salvar da fileira dos malucos que não conseguem amar ninguém além dos malucos que não conseguem amar ninguém.
O longo adeus da greve de fome:














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